Apenas 3% dos brasileiros têm condições financeiras para investir investir em bem-estar e saúde mental

Os resultados mostraram que somente 35% dos brasileiros das classes “D” e “E” conseguem investir em autocuidados, de forma ocasional. Já 25% desse mesmo grupo sequer conta com essa possibilidade. Foram ouvidos mais de 1.500 brasileiros de todas as regiões do país.
O abismo social também se manifesta nas práticas alimentares. Entre a população mais pobre, só metade afirmou comer bem, contra 69% das classes A e B, diferença que segue quando o assunto é academia ou atividade física: somente 33% entre os mais vulneráveis , em comparação com os 57% para os com renda maior.
“Quem vai viver mais tempo, as pessoas que têm condições de uma alimentação saudável ou as que não têm. As que praticam ou não praticam exercícios físicos guiados com o auxílio de profissionais. A diferença de renda no Brasil faz com que o acesso ao bem-estar seja diferente. Na prática, isso faz com que os mais ricos tenham oportunidades que os mais pobres não tenham”, explica Renato Meirelles, diretor do Instituto Locomotiva.
Além da renda e da rotina, as cidades brasileiras também impõem obstáculos ao bem-estar da população.
“As ruas são estreitas, elas são mal iluminadas, elas não são simbolizadas. Então, a gente tem, digamos, um padrão urbano que é muito, muito desfavorável à realização dessas práticas”, destaca Ligia Bahia, médica especializada em Saúde Pública e professora da UFRJ.
“A poluição ambiental dificulta muito, porque na realidade é uma contradição, você vai sugerir que as pessoas caminhem, mas que elas se exponham, não é, ao perigo, ao risco da poluição ambiental, ou o risco do assalto, o risco do roubo, não é, que a gente tem, é, frequentemente nas nossas cidades”, completa a especialista.
Fonte: Cultura UOL

