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Falta d’água em SP tem impactado a rotina de moradores de várias regiões, que estão há dias com a torneira seca

Por Redação TV Globo e g1 SP — São Paulo

  • A crise nos reservatórios que abastecem a capital paulista e a Região Metropolitana de São Paulo tem impactado diretamente a rotina de moradores de várias regiões, principalmente em alguns bairros da Zona Sul, que estão há dias sem água.

  • Para a professora Marta Marcondes, pesquisadora da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), a situação só seria normalizada com um volume de chuva muito acima do que vem sendo registrado.

  • Enquanto a chuva não vem, famílias enfrentam dificuldades diárias com o abastecimento. No Parque Otero, na região do Jardim Luís, moradores relatam que a água chega às torneiras com pressão muito baixa e não consegue encher as caixas d’água, mesmo em imóveis que possuem reservatórios.

Reservatórios de água atingem níveis criticos na grande SP

Reservatórios de água atingem níveis criticos na grande SP

A crise nos reservatórios que abastecem a capital paulista e a Região Metropolitana de São Paulo tem impactado diretamente a rotina de moradores de várias regiões, principalmente em alguns bairros da Zona Sul, que estão há dias sem água.

Para a professora Marta Marcondes, pesquisadora da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), a situação só seria normalizada com um volume de chuva muito acima do que vem sendo registrado.

Historicamente, a época de chuva vem de meados de setembro até março. Nesse período todo, em média, deveria chover 1.200 milímetros de água. E, se a gente fizer um histórico desse período em 2025, nós não tivemos essas chuvas.
— Marta Marcondes, pesquisadora da USCS
Situação da represa Jaguari/Jacarei, coração do Sistema Cantareira, que abastece a Região Metropolitana de São Paulo, neste mês de dezembro de 2025. — Foto: Reprodução/TV Globo

Situação da represa Jaguari/Jacarei, coração do Sistema Cantareira, que abastece a Região Metropolitana de São Paulo, neste mês de dezembro de 2025. — Foto: Reprodução/TV Globo

Ela alerta, porém, que, se esse volume de água cair de uma vez, as cidades não estão preparadas para suportar. As chuvas precisam vir de forma constante e distribuídas ao longo dos dias.

“Nós, infelizmente, não tivemos um preparo das cidades desde a última crise hídrica, que, na realidade, é uma crise de gestão hídrica”, afirmou.

Marta Marcondes defende que os municípios invistam mais em planejamento urbano e adaptação às mudanças climáticas.

“Nós temos que pensar hoje em como preparar as cidades e como torná-las resilientes. Uma cidade resiliente tem que ser preparada para receber grandes volumes de chuva e conseguir absorver essa água”, disse.

Nível dos reservatórios de água em São Paulo é o pior desde a crise hídrica de 2015. — Foto: Reprodução/TV Globo

Nível dos reservatórios de água em São Paulo é o pior desde a crise hídrica de 2015. — Foto: Reprodução/TV Globo

Sem água há dias

Enquanto a chuva não vem, famílias enfrentam dificuldades diárias com o abastecimento. No Parque Otero, na região do Jardim Luís, moradores relatam que a água chega às torneiras com pressão muito baixa e não consegue encher as caixas d’água, mesmo em imóveis que possuem reservatórios.

O bancário Ronaldo Gonçalves é proprietário de um imóvel onde vivem oito famílias e diz que o problema começou na semana passada.

“A pressão é muito baixa. Então, na altura que nós estamos, ela não chega até aqui. As casas mais baixas, sim, abastecem, mas aqui não chega”, afirmou.

Segundo ele, a última vez que as caixas ficaram cheias foi na segunda-feira da semana anterior. “Aqui nós temos idosos, crianças, mães, e o pessoal precisa tomar banho, precisa se higienizar, fazer as suas alimentações. E sem água não tem o que fazer”, disse.

Situação semelhante ocorre a cerca de 10 quilômetros dali, no bairro Vila Gilda, também na Zona Sul. A dona de casa Tiane Morgado conta que a água até chega, mas com pressão insuficiente para encher a caixa, o que obriga a família a fazer escolhas ao longo do dia.

“Dá para fazer o quê? No mínimo, a comida. Quando a gente faz, a água já acaba. O resto do dia a gente fica sem água para tomar banho, para limpar a casa”, relatou.

População com as torneiras secas durante o dia é obrigada a armazenar água no enorme calor de São Paulo neste mês de dezembro. — Foto: Reprodução/TV Globo

População com as torneiras secas durante o dia é obrigada a armazenar água no enorme calor de São Paulo neste mês de dezembro. — Foto: Reprodução/TV Globo

Ela contou que, durante o Natal, a situação se agravou: “Dia 24 e dia 25 a gente ficou sem água. Tivemos que comprar água para poder cozinhar, porque não tinha nada na torneira, nada, nada, nem um pingo. Teve que gastar para fazer a nossa ceia de Natal”, disse.

De acordo com dados oficiais, o Sistema Integrado Metropolitano, que reúne os principais mananciais responsáveis pelo abastecimento da capital e da Grande São Paulo, opera atualmente com 26,1% da capacidade, o menor índice registrado desde 2015.

Todos os reservatórios do sistema apresentam níveis considerados críticos.

Enquanto a normalização não acontece, moradores de áreas mais afetadas recorrem a soluções emergenciais. No condomínio onde vive Tiane, a alternativa tem sido comprar água.

“Eu e praticamente toda a vizinhança aqui do condomínio tivemos que comprar galões de água”, afirmou.

Consumo elevado e medidas emergenciais

Aumento do consumo de água com o calor na Região Metropolitana de SP, segundo a Sabesp. — Foto: Reprodução/TV Globo

Aumento do consumo de água com o calor na Região Metropolitana de SP, segundo a Sabesp. — Foto: Reprodução/TV Globo

Sabesp informou que, além do baixo nível das represas, o calor intenso dos últimos dias contribuiu para o aumento do consumo de água, o que pode ter impactado o abastecimento em alguns bairros.

Segundo a companhia, uma das medidas imediatas foi ampliar a captação e a distribuição de água ao longo do dia.

Alguns casos de falta d’água foram identificados e, para isso, a Sabesp fez várias ações, entre elas o aumento da sua produção. Passamos de 66 mil litros por segundo para 72 mil litros por segundo, um incremento da ordem de 9%, justamente para abastecer melhor as regiões mais distantes e mais altas.
— Meunim Rodrigues de Oliveira Júnior, diretor de Relações Contratuais e Institucionais da Sabesp

Ele acrescentou que, em situações emergenciais causadas por vazamentos ou manutenções, caminhões-pipa também são direcionados para minimizar os impactos.

“Essas ações ajudam a suprir a população e reduzir o problema da falta de água”, disse.

Gestão Tarcísio pede uso consciente

A secretária da Semil, Natália Resende, durante evento do governo de SP em Santa Bárbara do Oeste, interior de SP, em 24/03/2025. — Foto: Sérgio Barzaghi/Secom/GESP

A secretária da Semil, Natália Resende, durante evento do governo de SP em Santa Bárbara do Oeste, interior de SP, em 24/03/2025. — Foto: Sérgio Barzaghi/Secom/GESP

Diante do cenário desolador, o governo do estado reforçou o pedido para que a população adote hábitos de consumo mais conscientes.

“É preciso ter um consumo mais racional, até por conta do cenário. A gente tem visto chuvas muito abaixo da média e temperaturas acima da média”, afirmou a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.

Segundo a representante do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), apenas no mês de dezembro, o Sistema Cantareira registrou volume de chuva muito inferior à média histórica.

“A média seria de 211 milímetros, e hoje a gente está entre 111 e 114 milímetros. É bem abaixo, além das temperaturas acima da média”, explicou.

A secretária destacou que, assim como obras estruturantes e de um plano de redução de perdas, pequenas ações do dia a dia fazem diferença. “É importante não lavar calçada com mangueira, fechar a torneira ao escovar os dentes e tomar banhos mais curtos, de cinco minutos. Parece pequeno, mas faz muita diferença”, afirmou.

De acordo com estimativas citadas por ela, lavar a calçada por 15 minutos pode consumir cerca de 279 litros de água.

Só com pequenas mudanças, como fechar a torneira ao lavar a louça e reduzir o tempo do banho, a economia pode passar de 100 litros. Em um cenário de mudanças climáticas, isso é fundamental.
— Natália Resende, secretária estadual de Meio Ambiente

Fonte: G1

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