Carro do Tatuapé
Carro do Tatuapé que homenageia ‘maior torcedor’ da escola vai distribuir toda a comida da alegoria para comunidades da Zona Leste
O carro é composto por partes que exibem produtos da agricultura familiar.
Por Gustavo Honório, g1 SP — São Paulo
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A alegoria da Tatuapé celebrou a colheita e a agricultura familiar, com alimentos saudáveis vindos de um assentamento do MST em Apiaí.
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A estátua de Thiago Arakaki na alegoria exibia caquis e um coração, representando sua paixão pelo samba e a doação de órgãos.
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Militantes do MST e.

Tatuapé faz homenagem a jovem torcedor da escola que doou órgãos
A Acadêmicos do Tatuapé encerrou o desfile deste ano com um carro alegórico que tem muito amor envolvido. A última alegoria celebra a festa do trabalhador do campo e a colheita, além de homenagear Thiago Arakaki, jovem torcedor que morreu no ano passado.
Frutas, hortaliças, legumes e verduras que fizeram parte da cenografia do carro serão distribuídas para comunidades próximas à quadra da escola, na Zona Leste de São Paulo.
A escola fez uma estátua gigante para manter viva a memória do torcedor (leia mais abaixo).
O carro é composto por partes que exibem produtos da agricultura familiar. Os alimentos vieram de um assentamento da Reforma Agrária em Apiaí, na região sudoeste do estado, no assentamento Luiz de Macedo.
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Carro alegórico da Acadêmicos do Tatuapé — Foto: Gustavo Honório/g1
Militante do MST que ajudou a colocar a alegoria na avenida, Aranha afirmou que o carro representa a “festa da colheita”. “Esse carro representa a festa da colheita, que para nós é muito importante. É o alimento que a gente traz, o alimento saudável, sem veneno”, disse. Segundo ele, trata-se do alimento “do dia a dia, que comemos na roça e trazemos para a cidade.”
Aranha também disse que a presença do movimento no carnaval recoloca o debate sobre Reforma Agrária em evidência. “Nós estamos recolocando a Reforma Agrária de novo na pauta nacional”, declarou, defendendo a produção de alimentos por assentados como alternativa à fome e ao consumo de produtos industrializados.
O ex-jogador Raí, que desfilou como destaque no mesmo carro, afirmou que o enredo representa “legitimar um movimento tão importante para a sociedade brasileira, para um país mais justo”. Ele citou a concentração de terras no Brasil e classificou o debate como parte de uma “reparação histórica”. Também destacou a agricultura familiar e a produção com menos agrotóxicos como iniciativas que trazem benefícios ao país.
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Alimentos que serão doados pela Acadêmicos do Tatuapé a comunidades — Foto: Gustavo Honório/g1
Homenagem ao “maior torcedor”
Além de simbolizar a colheita e a partilha, o carro quatro prestou homenagem a Thiago Arakaki, apontado pela escola como o “maior torcedor” da Acadêmicos do Tatuapé, que morreu em maio de 2025.
Thiago desfilava pela escola desde 2015 e era conhecido pela presença constante na quadra e pelo amor ao carnaval. Segundo a agremiação, todas as escolas sentiram a perda, porque ele era muito presente e verdadeiro nesse amor pelo samba. Também era corintiano roxo.
De família tradicional japonesa, Thiago tinha deficiência intelectual leve. No início, os familiares tinham receio de que ele frequentasse a quadra e, por um período, ele ia sempre acompanhado dos tios. Com o tempo, a família percebeu o quanto o carnaval o fazia feliz.
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O torcedor da Acadêmicos do Tatuapé, Thiago Arakaki — Foto: Reprodução/redes sociais
A família tem um sítio e, para ter mais autonomia e renda própria, ele vendia caquis na porta de casa — atividade que lhe dava orgulho.
Na alegoria, uma escultura representa o torcedor: em uma das mãos, ele segura uma caixa de caquis; na outra, um coração em formato de amor. O coração simboliza a doação de órgãos, decisão tomada pela família após a morte de Thiago.
Doze familiares, incluindo a mãe e as irmãs, desfilaram pela primeira vez para homenageá-lo. A escola define a homenagem como simbólica. Para a agremiação, Thiago representava alegria, pertencimento e amor pelo carnaval.
Fonte: G1

