terça-feira, agosto 18, 2026
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Dois anos para LA: conheça 10 jovens promessas em busca de vaga para primeiros Jogos Paralímpicos

Fachada do Centro de Convenções de Los Angeles, onde as competições de bocha, judô, tênis de mesa, taekwondo e paraesgrima acontecerão em LA2028. | Foto: Divulgação/IPC

Daqui a exatos dois anos, no dia 15 de agosto de 2028, será acesa a tocha dos Jogos Paralímpicos de Los Angeles, nos Estados Unidos. A delegação brasileira chegará aos Estados Unidos em busca de sua medalha de número 500 na história dos Jogos Paralímpicos após o resultado histórico obtido em Paris 2024, quando o Brasil foi pela primeira vez o quinto colocado no quadro de medalhas, com 88 pódios (25 ouros, 25 pratas e 38 bronzes).

Para isso, a delegação brasileira deverá contar tanto com os pódios dos atletas que já se destacaram em outras edições do megaevento como também com a renovação trazida pelos atletas que ganharam espaço durante o atual ciclo paralímpico, no qual o país seguiu revelando dezenas de novos atletas em diversas modalidades..

Foi assim em Paris 2024. Na ocasião, foram convocados 255 atletas com deficiência, sendo que destes, 88 jamais haviam participado de uma edição de Jogos. O número representa 34,5% do total dos atletas que competiram pelo Brasil na capital francesa.

O investimento na renovação tem entre seus pilares a Escola Paralímpica de Esportes do CPB, pela qual passaram atletas como a nadadora paulista Alessandra Oliveira, campeã mundial em Singapura 2025, e o cearense Anael Oliveira, do futebol de cegos, bicampeão dos Jogos Parapan-Americanos de Jovens e campeão parasul-americano com a Seleção Brasileira principal.

A paulista Maria Clara Araújo, do atletismo, já entrou para o grupo de promessas para futuras edições de Jogos com apenas 15 anos. Em 2026, ela foi medalhista de ouro nos 100m e nos 200m do Grand Prix de Rabat, no Marrocos, e recordista das Américas nas duas provas.

Conheça nesta página alguns dos novos atletas que já se destacam internacionalmente e irão buscar nos próximos dois anos a qualificação para Los Angeles.

Alessandra Oliveira usa uma touca amarela e óculos para natação nas cores cinza e azul. Ela se prepara para subir no bloco de partida durante o treino

Alessandra Oliveira
Modalidade: Natação
Nascimento: 13/06/2008, São Paulo (SP)
Classe: S5/SB4

A nadadora se tornou campeã e recordista mundial dos 100m peito para a classe SB4 no Mundial de Singapura, em 2025, além de ter feito parte da equipe medalhista de ouro no revezamento 4x50m medley 20 pontos. Antes, ela já havia se sagrado campeã parapan-americana na mesma prova em Santiago, no Chile, em 2023, com apenas 15 anos.

A jovem sofreu amputação em membros superiores e inferiores aos três anos em razão de vasculite, uma inflamação dos vasos sanguíneos causada por complicações de uma catapora. Começou a praticar esportes em 2018, ano em que passou a fazer parte da Escola Paralímpica de Esportes do Comitê Paralímpico Brasileiro.

Ana Beatriz está usando um agasalho amarelo, com os cabelos amarrados e sorrindo, enquanto segura a medalha de ouro do Parapan-Americano de Jovens de 2025.

Ana Beatriz Magalhães
Modalidade: Atletismo
Nascimento: 02/10/2006, Campo Grande (MS)
Classe: F38

Ana Beatriz nasceu com paralisia cerebral e começou a se dedicar ao atletismo aos oito anos, em atividades adaptadas na própria escola em que estudava. Desde o ano passado ela treina no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, sob a orientação do técnico Alex Sabino.

Sua principal prova é o lançamento de disco, na qual foi medalhista de bronze no Grand Prix de Rabat, no Marrocos, em abril, sua primeira competição internacional adulta. No Parapan de Jovens de Santiago, em 2025, disputou o lançamento de dardo e foi ouro.

Anael usa um agasalho amarelo, uma calça azul com listas laterais verdes e amarelas, sorri e segura a medalha de ouro conquistada no Parapan-Americano de Jovens de 2025.

Anael de Sousa Oliveira
Modalidade: Futebol de Cegos
Nascimento: 03/05/2006, Araripe (CE)
Classe: B1

O jovem participou de sua primeira competição internacional fora do Brasil com a Seleção adulta em 2026, quando fez parte da equipe campeã dos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026, na Colômbia. Antes, já havia sido campeão de duas edições do Parapan de Jovens, em Bogotá (2023) e Santiago (2025).

Nasceu com glaucoma e perdeu completamente a visão aos oito anos. Conheceu o futebol de cegos em 2018, por meio do projeto da Escola Paralímpica de Esportes do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), onde iniciou sua trajetória na modalidade.

Beatriz Flausino está dentro da piscina, sorrindo e usa uma touca azul e óculos de natação preto e azul claro .

Beatriz Flausino
Modalidade: Natação
Nascimento: 22/03/2004, Osasco (SP)
Classe: S14

A paulista nada desde os oito anos de idade e passou a fazer parte do Movimento Paralímpico em 2025, dois anos após receber o diagnóstico de transtorno do espectro autista e deficiência intelectual.

No mesmo ano, foi campeã mundial dos 100m peito SB14 em Singapura e foi prata no revezamento 4x100m medley S14. Já em 2026 conquistou o recorde mundial dos mesmos 100m peito em etapa do World Series de Berlim, na Alemanha.

Jean usa um agasalho amarelo, com algumas listas em azul escuro que formam formas abstratas e segura a medalha de bronze dos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar na mão direita e o mascote na mão esquerda.

Jean Carlos Mashki
Modalidade: Tênis de mesa
Nascimento: 02/09/2005, São Paulo (SP)
Classe: 8

Jean nasceu com paralisia cerebral. Começou jogando tênis de mesa na escola e, em 2019, ingressou na equipe de Praia Grande. Em 2026 entrou para um programa de intercâmbio na França para ampliar o volume de partidas jogadas.

Tem entre seus títulos o ouro nas duplas masculinas MD18 e bronze no individual masculino nos Jogos Parapan-Americanos de Santiago 2023 e o bicampeonato no Parapan de Jovens (Bogotá 2023 e Santiago 2025).

José Antônio está sentado em sua cadeira de rodas, com algumas bolas de bocha em sua frente, enquanto lança uma bola durante a partida válida pelo Parapan-Americano de Jovens de 2025.

José Antônio Santos
Modalidade: Bocha
Nascimento: 04/09/2006, São José de Mipibu (RN)
Classe: BC4

José Antônio tem Distrofia Muscular de Duchenne, uma doença genética que provoca a degeneração progressiva dos músculos. Iniciou sua trajetória esportiva na natação e, em 2022, decidiu migrar para a bocha.

Em 2025, foi o único brasileiro campeão mundial na disputa individual entre jovens em Curitiba (PR) e venceu o Parapan de Jovens de Santiago. Já entre adultos, foi o campeão da Copa América na Colômbia, em outubro do mesmo ano.

Kauana usa uniforme com uma camisa amarela e um shorts verde, enquanto compete nos Jogos Parasul-Americano de Valledupar com a raquete na mão direita, fazendo o movimento para atingir a peteca.

Kauana Beckenkamp
Modalidade: Badminton
Nascimento: 10/09/2009, Marechal Cândido Rondon (PR)
Classe: SL3

Aos 14 anos, Kauana foi a atleta mais jovem da delegação que representou o Brasil nos Jogos Parapan-Americanos de Santiago, em 2023, e conquistou uma medalha de prata na competição. Mais recentemente, ela foi ouro na disputa individual, nas duplas mistas e nas duplas femininas no Internacional do Brasil, disputado no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, sendo a única atleta do Brasil a conquistar os três títulos.

Kauana nasceu com uma má-formação congênita que ocasionou ausência de tíbia na perna esquerda. Foi convidada aos 10 anos para praticar badminton convencional por um professor. A atleta Edwarda de Oliveira a apresentou ao badminton paralímpico.

Marco Tulio usa uma camisa amarela com listas azuis escuras queformam uma forma abstratas, enquanto mostra sua medalha de ouro com a mão direita e o mascote da competição com a mão esquerda dos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar

Marco Túlio Cruz
Modalidade: Halterofilismo
Nascimento: 02/01/2003, Uberlândia (MG)
Categoria: Até 49kg

Marco Túlio conquistou a medalha de bronze em seu primeiro Mundial, disputado em 2025, no Cairo, na categoria até 49kg, e saiu do evento com um novo recorde das Américas. Antes, já vinha se destacando nas categorias de base, com um ouro nos Jogos Parapan-Americanos de Jovens de Bogotá, em 2023, na Colômbia.

O halterofilista tem acondroplasia, condição que ocasionou baixa estatura, e encontrou no halterofilismo um novo caminho em 2022. O início na modalidade veio por meio de um amigo também atleta do esporte, que conheceu a mãe de Marco e descobriu que ela tinha um filho com o mesmo diagnóstico. A partir dessa conversa, Marco foi fazer um teste com o técnico Weverton, no Centro de Referência do CPB em Uberlândia (MG) e, desde então, passou a integrar a modalidade.

Maria Clara sorri e faz um coração com as mãos. Ela usa tranças e um uniforme nas cores verde e azul.

Maria Clara Araújo
Modalidade: Atletismo
Nascimento: 19/03/2011, São Paulo (SP)
Classe: T35

Maria Clara fez sua primeira competição internacional em 2026: a etapa de Rabat do Grand Prix de atletismo, no Marrocos, e conquistou duas medalhas de ouro e dois recordes das Américas, nos 100m e nos 200m.

A atleta, que tem paralisia cerebral, iniciou no esporte praticando futebol com meninos e meninas sem deficiência, até que o atleta Fábio Bordignon a viu fazendo embaixadinhas e a incentivou a ingressar no esporte paralímpico. Conheceu o atletismo na Escola Paralímpica de Esportes do CPB.

Vitória está em sua cadeira de rodas sorrindo e com a raquete na mão direita. O uniforme dela é azul escuro e tem a bandeira do Brasil no peito.

Vitória Miranda
Modalidade: Tênis em cadeira de rodas
Nascimento: 20/08/2007, Belo Horizonte (MG)
Classe: Open

Vitória conquistou títulos em dois Grand Slams em 2025: foi campeã em simples e em duplas no Aberto da Austrália e em Roland Garros.

A atleta nasceu prematura e com artrogripose múltipla congênita, condição que afeta a mobilidade das articulações. Começou a praticar esporte na Associação Mineira de Reabilitação. Foi apresentada ao seu treinador no tênis em cadeira de rodas, Leo Butija, pela mãe do atleta da modalidade Rafael Medeiros.

Patrocínio
As Loterias Caixa, a Caixa, a Braskem e a Asics são as patrocinadoras oficiais do atletismo.
As Loterias Caixa e a Caixa são as patrocinadoras oficiais da natação, futebol de cegos, halterofilismo, badminton, bocha e tênis de mesa.

Time São Paulo
As atletas Alessandra Oliveira, Ana Beatriz Magalhães e Beatriz Flausino integram o Time São Paulo, parceria entre o CPB e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, que beneficia 157 atletas.

Fonte: cpb.org.br

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