Ucrânia acusa Comitê Paralímpico Internacional de “pressão sistêmica” sobre delegação
Representantes ucranianos relatam casos como questionamento sobre posição de bandeira na vila de atletas, orientações sobre brinco usado por campeã paralímpica e lenços de torcedores confiscados
Por Redação do ge — Rio de Janeiro, RJ
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Comitê Paralímpico Nacional (CPN) da Ucrânia relata casos que, segundo o órgão, evidenciam “pressão sistêmica” do Comitê Paralímpico Internacional (IPC) sobre a delegação do país.
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Além de alegar “pressão sistêmica”, o CPN cita tratamento “abertamente negativo” com atletas, treinadores e autoridades. Um caso envolvendo torcedores também é mencionado.
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O IOC rebateu acusações e afirmou que continua comprometido em proporcionar um ambiente respeitoso e acolhedor.

Oksana Shyshkova, da Ucrânia, leva o ouro no Biatlo Sprint para pessoas com deficiência visual
Após o caso envolvendo um capacete utilizado no skeleton durante as olimpíadas e o boicote na cerimônia de abertura das paralimpíadas contra o retorno de atletas russos e bielorrussos competindo com suas respectivas bandeiras, o Comitê Paralímpico Nacional (CPN) da Ucrânia acusou o Comitê Paralímpico Internacional (IPC) e os organizadores de Milão-Cortina 2026 de exercerem “pressão sistêmica” sobre a delegação do país.
O CPN ucraniano cita exemplos do que seria um tratamento “abertamente negativo” e sem precedentes nas três décadas de participação ucraniana nas edições de verão e inverno dos jogos paralímpicos. Entre os episódios, o comitê declarou estar “especialmente chocado” com a retenção denfisco de bandeiras e lenços de oito familiares do campeão paralímpico no biatlo Taras Rad. Eles foram impedidos de acessar as arquibancadas com os materiais.
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Bandeiras e lenços de oito familiares do campeão paralímpico no biatlo Taras Rad teriam sido confiscados — Foto: Alex Grimm/Getty Images
Também no biatlo, a medalhista de ouro Oleksandra Kononova recebeu a orientação para remover brincos instantes antes do pódio. Os acessórios continham uma pequena bandeira ucraniana e frase “Pare a Guerra”.
Já na vila paralímpica, a Ucrânia relatou que precisou remover uma bandeira nacional de sua residência. Somente dois dias depois, os organizadores determinaram o novo local para o pavilhão, que seria menos visível do que o espaço inicial. De acordo com o comitê ucraniano, o posicionamento da bandeira não teria provocado objeções em jogos anteriores.
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Oleksandra Kononova recebeu a orientação para remover brincos que continham uma pequena bandeira ucraniana e a frase “Pare a Guerra”. — Foto: Daniel Kopatsch/VOIGT/GettyImages
IPC afirma que regras visam ambiente respeitoso e acolhedor
O diretor de Marca e Comunicação do IPC, Craig Spence, revelou durante uma coletiva de imprensa em Cortina d’Ampezzo estar supresso com as declarações do comitê ucraniano. Ele citou ainda que as acusações foram expostas via mídia, não por meio de canais oficiais.
– Embora sejamos empáticos com a situação do povo ucraniano, essa empatia não se estende a permitir que o Comitê Paralímpico Nacional da Ucrânia quebre as regras que regem esses jogos – declarou Spence.

Biatlo masculino para cadeirantes com a chegada do ucraniano em primeiro lugar
Sobre o posicionamento da bandeira da Ucrânia na vila paralímpica, o IPC afirmou que o local escolhido inicialmente estava fora da área comunitária e, conforme as regulamentações previstas para o espaço, o pavilhão deveria ser pendurado apenas nas áreas residenciais ocupadas pelos ucranianos, o que motivou o pedido de troca.
Por meio de comunicado, o IPC ainda comentou sobre o caso das bandeiras e lenços confiscados. A entidade contou que a segurança do local não conseguiu verificar o significado do texto. Desta forma, como poderia conter mensagens políticas – o que não é permitido pelas regras – “os espectadores foram convidados a entrar no local sem os cachecóis”.
– Milano Cortina 2026 e o Comitê Paralímpico Internacional continuam comprometidos em proporcionar um ambiente respeitoso e acolhedor para todas as partes interessadas, incluindo atletas e espectadores. As regras e procedimentos vigentes durante os Jogos são projetados para apoiar esse ambiente e são aplicados igualmente a todas as delegações – concluiu o órgão.
Ucraniano eliminado por usar capacete com homenagem
Durante as olimpíadas, Vladyslav Heraskevych, do skeleton, foi desclassificado dos jogos por utilizar um capacete com fotos de atletas que morreram durante a invasão russa ao seu país natal. O Comitê Olímpico Internacional argumentou que ele descumpriu as “Diretrizes do COI sobre Expressão dos Atletas”
O COI permitiu que Heraskevych utilizasse o capacete durante os treinamentos, que não são televisionados, mas manteve a decisão de não permitir que o ucraniano utilizasse o equipamento durante as competições. O atleta ucraniano seguiu com o desejo de utilizar o capacete durante a sua performance na pista e foi desclassificado.

Ucraniano utiliza capacete com homenagem aos mortos na guerra durante treinamento
Fonte: Ge

