quinta-feira, março 19, 2026
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Meio Ambiente

Por Madu Porto*, Arcênio Corrêa, Luan Borges, TV Integração e g1 Triângulo — Uberlândia

  • O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) instaurou, em fevereiro, um Inquérito Civil para apurar um possível dano ambiental no Parque do Sabiá, em Uberlândia.

  • O procedimento, registrado como “aberto”, tramita na 10ª Promotoria de Justiça especializada em Meio Ambiente, e aguarda a perícia técnica para prosseguir.

  • A investigação começou após denúncia de uma vereadora, reforçada pela vistoria e laudo da bióloga Ana Lúcia Bonfim, que veio a público nos últimos dias.

  • Imagens divulgadas mostram acúmulo de lixo e vegetação próxima a tubulação pluvial dentro da área de preservação.

  • Após a denúncia, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente iniciou a retirada de entulhos e um vídeo registrado nesta quarta-feira (18), mostrou o local com menos poluentes.

Parque do Sabiá é investigado por possível contaminação ambiental

Parque do Sabiá é investigado por possível contaminação ambiental

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) instaurou ,em fevereiro, um Inquérito Civil para apurar um possível dano ambiental no Parque do Sabiá, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. O procedimento, registrado como ‘aberto’, tramita na 10ª Promotoria de Justiça especializada em Meio Ambiente, e aguarda a perícia técnica para prosseguir.

A investigação começou após a denúncia da vereadora Amanda Gondim (PSB), reforçada pela vistoria e laudo da bióloga Ana Lúcia Bonfim, que veio a público nos últimos dias. Imagens divulgadas mostram acúmulo de lixo e vegetação próxima a tubulação pluvial dentro da área de preservação. Veja imagens na galeria abaixo.

“É muito triste, muito doloroso, principalmente para quem trabalha na área ambiental. Os indícios são perceptíveis a olho nu”, disse a bióloga.

Após a denúncia, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente iniciou a retirada de entulhos e um vídeo registrado nesta quarta-feira (18), mostrou o local com menos poluentes. Assista trecho na matéria acima.

Problema antigo escondido pela vegetação

Em entrevista à TV Integração, Ana Bonfim, bióloga responsável pelo laudo técnico de constatação de Crime Ambiental na Unidade de Conservação, relatou que o problema, encoberto por bambuzais e vegetação densa, pode estar ocorrendo há mais de duas décadas, desde a instalação de manilhas que deveriam conduzir apenas águas pluviais.

  • 🔎 A tubulação de água pluvial é o sistema de drenagem responsável por coletar e conduzir a água da chuva separadamente do esgoto doméstico.

Durante a vistoria, a bióloga destacou que tubulações destinadas à drenagem pluvial estariam despejando esgoto doméstico.

“Essa mancha esbranquiçada [na água] que parece uma nata são resíduos de sabão e produtos de limpeza, típicos de esgoto doméstico”, explicou.

Segundo a bióloga, a contaminação não se limita à água, entrou para dentro do solo causando degradação e perda do bioma natural.

Laudo técnico acusa dano ambiental

Laudo Técnico de Constatação de Poluição Hídrica, concluído em 13 de fevereiro de 2026, que o g1 teve acesso, apontou que os corpos hídricos do Parque do Sabiá estão sendo utilizados de forma irregular como receptores de esgoto. O documento afirma que não se trata de evento natural, mas sim de falha infraestrutural ou lançamento clandestino, exigindo intervenção imediata.

Entre os principais sinais observados estão:

  • Odor intenso de sulfeto de hidrogênio, semelhante a ‘ovo podre’;
  • Eutrofização acelerada, com espuma e nata na superfície;
  • Risco à fauna aquática, pela redução do oxigênio dissolvido.

O relatório ainda enquadra a situação nos dispositivos da Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal nº 9.605/98), especialmente no artigo 54, que trata da poluição em níveis capazes de causar danos à saúde humana, mortalidade de animais ou destruição significativa da flora.

Veja imagens divulgadas no laudo

Foto de laudo técnico expõe contaminação no Parque do Sabiá, em Uberlândia — Foto: Amanda Gondim/Ana Lúcia Bonfim
Foto de laudo técnico mostra água contaminada no Parque do Sabiá, em Uberlândia — Foto: Amanda Gondim e Ana Lúcia Bonfim/Reprodução
Foto de laudo técnico mostra excesso de resíduos no Parque do Sabiá, em Uberlândia — Foto: Amanda Gondim e Ana Lúcia Bonfim/Reprodução
Foto de laudo técnico expõe contaminação no Parque do Sabiá, em Uberlândia — Foto: Amanda Gondim/Ana Lúcia Bonfim
Foto de laudo técnico expõe contaminação no Parque do Sabiá, em Uberlândia
Foto de laudo técnico mostra água contaminada no Parque do Sabiá, em Uberlândia
Foto de laudo técnico mostra excesso de resíduos no Parque do Sabiá, em Uberlândia

Ministério Público acompanha caso

O promotor Breno Lintz, responsável pelo inquérito, afirmou que perícias ainda serão realizadas por órgãos estaduais para identificar os pontos de degradação.

“Solicitamos uma perícia e aguardamos o resultado para dar prosseguimento às medidas. A partir da identificação, o MP busca corrigir emissários, captações de água pluvial e verificar se há esgoto sendo lançado na rede de drenagem”, explicou.

‘Vazamentos pontuais”, diz Futel

O diretor-geral da Fundação Uberlandense do Turismo, Esporte e Lazer (Futel), Edson Zanatta, responsável pela administração do parque, disse que atua há mais de sete anos na gestão e que vazamentos como esse ocorrem “pontualmente”, mas sem causar contaminação.

Segundo ele, análises da água são feitas de forma recorrente e, quando há irregularidades, o Dmae é acionado para resolver imediatamente o problema.

“O pessoal pode ficar tranquilo, o parque tem conforto, qualidade, segurança, e nós estamos atentos a tudo. Está sanado esse problema”, afirmou.

Após a reportagem da TV Integração, o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) informou na terça-feira (17) que identificou vazamentos indevidos da rede de esgoto para a rede de drenagem em pontos da cidade, em fevereiro, e que os resíduos chegaram a descer para parte da represa artificial do Parque do Sabiá. Leia a nota na integra abaixo.

ficial do Dmae

“Dmae identifica e regulariza ligações cruzadas no setor Leste de Uberlândia

Vazamentos indevidos da rede de esgoto para a rede de drenagem chegaram a descer para parte da represa artificial do Parque do Sabiá em fevereiro deste ano

O Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) informa que realizou, nos últimos dias, um serviço de inspeção da rede de esgoto de drenagem da zona Leste de Uberlândia para identificar e consertar eventuais ligações cruzadas que resultam em vazamentos indevidos de esgoto para a rede de drenagem. Por meio do trabalho, por exemplo, foi possível identificar e regularizar pontos de obstrução de rede e de lançamento indevido de efluentes, em áreas próximas ao bairro Grand Ville, que chegaram a descer para parte da represa do Parque do Sabiá (que é artificial e funciona como uma retenção de escoamento pluvial) em fevereiro deste ano. Além do serviço, a pedido da Futel, o Dmae também realizou a devida limpeza da represa recentemente.

A autarquia esclarece que esse tipo de apuração, desenvolvido de forma integrada pelas áreas de esgotamento sanitário e drenagem pluvial, não é simples ou imediata, pois nem sempre a origem do problema está no mesmo ponto em que seus efeitos se manifestam. Em muitos casos, a irregularidade pode estar localizada em outro trecho da bacia contribuinte, o que exige análise do direcionamento das redes, inspeções progressivas, testes específicos e verificação técnica em campo. Neste sentido, portanto, o trabalho de monitoramento e de inspeção permanecerão contínuos, em todos os setores da cidade, uma vez que outros pontos poderão ser identificados e apurados tecnicamente para correção.

Vídeo inspeção e ligações cruzadas

O Dmae destaca que as ligações cruzadas ocorrem quando há conexão inadequada entre sistemas distintos, como nos casos em que esgoto sanitário é lançado na rede de drenagem pluvial ou águas de chuva são direcionadas à rede de esgoto, situação que pode gerar impactos operacionais e ambientais.

A autarquia reforça ainda que esse trabalho vem sendo ampliado com o apoio de novo contrato de modernização do sistema de drenagem, que possibilita a realização de vídeo inspeções também pela rede de drenagem pluvial, recurso que já contribuiu para a identificação de ponto irregular. Dessa forma, as inspeções passaram a ocorrer de forma mais ampla, tanto pela rede de drenagem quanto pela rede de esgoto, ampliando a capacidade de rastreamento, diagnóstico e correção dessas ocorrências.

O Dmae reforça que realiza, de forma contínua e permanente, ações de inspeção, monitoramento e investigação técnica nas redes de esgoto sanitário e de drenagem pluvial do município, com o objetivo de identificar e corrigir ligações cruzadas irregulares.

As vistorias seguem sendo executadas conforme as demandas identificadas e a priorização técnica das áreas analisadas, com adoção das medidas corretivas e administrativas cabíveis sempre que constatadas irregularidades. O Dmae também reforça a importância da colaboração da população, já que a identificação e a correção desse tipo de ocorrência também dependem do apoio dos moradores e responsáveis pelos imóveis”.

Fonte: G1

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