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Vazamento faz jato d’água ultrapassar copa de árvore e serve até de ‘lava-rápido’ para táxi em SP

Por Redação TV Globo e g1 SP — São Paulo

  • Um grande vazamento de água acontece ao menos desde as 5h da manhã desta terça-feira (6) na esquina da Avenida General Ataliba Leonel com a Rua Salvador Romeu, na região do Jardim São Paulo, Zona Norte de São Paulo, segundo o relato de um morador.

  • A vazão d´água é tão grande que chega a ultrapassar a altura da copa de uma árvore.

  • O Globocop sobrevoou o local e flagrou o momento em que um táxi estaciona debaixo da chuva artificial que se formou e aproveita para lavar o carro.

  • A cena foi registrada por volta das 7h, ou seja, o desperdício de água durava 2h no momento da gravação.

Globocop flagra vazamento de água que ultrapassa copa de árvore e serve até de 'lava-rápido' para táxi em SP

Globocop flagra vazamento de água que ultrapassa copa de árvore e serve até de ‘lava-rápido’ para táxi em SP

Um grande vazamento de água na Zona Norte de São Paulo na manhã desta terça-feira (6) formou um jato alto que chegou a ultrapassar a altura da copa de uma árvore.

O Globocop sobrevoou o local e flagrou o momento em que um táxi estacionou debaixo da “chuva artificial” que se formou e aproveitou para lavar o carro.

A água começou a vazar pelo menos desde as 5h na esquina da Avenida General Ataliba Leonel com a Rua Salvador Romeu, na região do Jardim São Paulo, segundo o relato de um morador.

Vazamento de água na Zona Norte de SP vira 'lava-rápido' — Foto: Reprodução/TV Globo

Vazamento de água na Zona Norte de SP vira ‘lava-rápido’ — Foto: Reprodução/TV Globo

A cena foi registrada por volta das 7h, ou seja, o desperdício de água durou pelo menos duas horas. Uma lâmina d’água se formou na via, tornando o tráfego perigoso para motoristas e, principalmente, motociclistas.

Em nota enviada ao g1, a Sabesp disse que, assim que identificou o vazamento, acionou equipes operacionais para realizar o fechamento da rede de água — manobra executada em outro ponto do sistema.

“Outras equipes foram deslocadas ao local para executar o reparo da tubulação. Durante a realização dos serviços, o abastecimento na região poderá sofrer impactos temporários, com normalização prevista após a conclusão dos trabalhos”, apontou a companhia.

O caso acontece num contexto de crise hídrica na capital e na Grande São Paulo. A situação dos reservatórios que abastecem a região tem impactado diretamente a rotina de moradores de vários bairros e cidades, principalmente em alguns distritos da Zona Sul, que estão há dias sem água.

Vazamento de água na Zona Norte de SP — Foto: TV Globo

Crise hídrica

Para a professora Marta Marcondes, pesquisadora da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), a situação dos reservatórios só seria normalizada com um volume de chuva muito acima do que vem sendo registrado.

Historicamente, a época de chuva vem de meados de setembro até março. Nesse período todo, em média, deveria chover 1.200 milímetros de água. E, se a gente fizer um histórico desse período em 2025, nós não tivemos essas chuvas.
— Marta Marcondes, pesquisadora da USCS
Situação da represa Jaguari/Jacarei, coração do Sistema Cantareira, que abastece a Região Metropolitana de São Paulo, neste mês de dezembro de 2025. — Foto: Reprodução/TV Globo

Situação da represa Jaguari/Jacarei, coração do Sistema Cantareira, que abastece a Região Metropolitana de São Paulo, neste mês de dezembro de 2025. — Foto: Reprodução/TV Globo

Ela alerta, porém, que, se esse volume de água cair de uma vez, as cidades não estão preparadas para suportar. As chuvas precisam vir de forma constante e distribuídas ao longo dos dias.

“Nós, infelizmente, não tivemos um preparo das cidades desde a última crise hídrica, que, na realidade, é uma crise de gestão hídrica”, afirmou.

Marta Marcondes defende que os municípios invistam mais em planejamento urbano e adaptação às mudanças climáticas.

“Nós temos que pensar hoje em como preparar as cidades e como torná-las resilientes. Uma cidade resiliente tem que ser preparada para receber grandes volumes de chuva e conseguir absorver essa água”, disse.

Nível dos reservatórios de água em São Paulo é o pior desde a crise hídrica de 2015. — Foto: Reprodução/TV Globo

Nível dos reservatórios de água em São Paulo é o pior desde a crise hídrica de 2015. — Foto: Reprodução/TV Globo

Sem água há dias

Enquanto a chuva não vem, famílias enfrentam dificuldades diárias com o abastecimento. No Parque Otero, na região do Jardim Luís, moradores relatam que a água chega às torneiras com pressão muito baixa e não consegue encher as caixas d’água, mesmo em imóveis que possuem reservatórios.

O bancário Ronaldo Gonçalves é proprietário de um imóvel onde vivem oito famílias e diz que a pressão da água é muito baixa e não chega até onde estão.

Situação semelhante ocorre a cerca de 10 quilômetros dali, no bairro Vila Gilda, também na Zona Sul. A dona de casa Tiane Morgado conta que a água até chega, mas com pressão insuficiente para encher a caixa, o que obriga a família a fazer escolhas ao longo do dia.

“Dá para fazer o quê? No mínimo, a comida. Quando a gente faz, a água já acaba. O resto do dia a gente fica sem água para tomar banho, para limpar a casa”, relatou.

População com as torneiras secas durante o dia é obrigada a armazenar água no enorme calor de São Paulo neste mês de dezembro. — Foto: Reprodução/TV Globo

População com as torneiras secas durante o dia é obrigada a armazenar água no enorme calor de São Paulo neste mês de dezembro. — Foto: Reprodução/TV Globo

Consumo elevado e medidas emergenciais

A Sabesp informou que, além do baixo nível das represas, o calor intenso dos últimos dias contribuiu para o aumento do consumo de água, o que pode ter impactado o abastecimento em alguns bairros.

Segundo a companhia, uma das medidas imediatas foi ampliar a captação e a distribuição de água ao longo do dia. Em situações emergenciais causadas por vazamentos ou manutenções, caminhões-pipa também são direcionados para minimizar os impactos.

Diante do cenário desolador, o governo do estado reforçou o pedido para que a população adote hábitos de consumo mais conscientes, como não lavar calçada com mangueira, fechar a torneira ao escovar os dentes e tomar banhos mais curtos.

Fonte: G1

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