O que se sabe sobre a chegada a nado de imigrantes a Ceuta, na Espanha, vindos do Marrocos
Milhares de pessoas cruzaram a fronteira entre o Marrocos e o exclave espanhol nesta semana, deixando mortos e levando a Espanha a reforçar a segurança. Veja o que já se sabe sobre a crise migratória.
Por Redação g1
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Mais de 60 mil migrantes, majoritariamente jovens marroquinos, entraram em Ceuta, cidade autônoma da Espanha, em apenas 24 horas nesta sexta-feira (31), segundo o Ministério do Interior.
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Pelo menos 57 pessoas morreram durante a travessia, segundo a EFE. Parte dos imigrantes atravessou a nado pela costa, uma das rotas mais perigosas do mundo.
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Ceuta é uma cidade autônoma espanhola no norte da África que faz fronteira terrestre com o Marrocos, país que reivindica soberania sobre o território.
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O governo espanhol enviou o Exército para reforçar a Guarda Civil e a polícia em Ceuta, e o premiê Pedro Sánchez visita a cidade nesta sexta ao lado do ministro do Interior.

O que se sabe sobre a chegada a nado de imigrantes marroquinos a Ceuta
Uma nova onda de imigração colocou a cidade espanhola de Ceuta no centro de uma crise migratória nesta semana. Milhares de pessoas atravessaram a fronteira entre o Marrocos e a cidade autônoma espanhola, principalmente pelo mar, o que levou o governo da Espanha a enviar militares para reforçar a segurança.
A seguir, veja o que se sabe sobre o caso.
Quantas pessoas chegaram?
Cerca de 60 mil migrantes entraram em Ceuta nas últimas 24 horas, afirmou nesta sexta-feira (31) o Ministério do Interior da Espanha. A maioria é formada por jovens marroquinos, mas também há famílias e crianças.
Mais de metade deles já havia sido retornado a Marrocos durante esta sexta, segundo o Ministério espanhol.
O fluxo já vinha se intensificando ao longo da última semana, e os centros de acolhimento da cidade já estavam próximos do limite antes da nova onda de chegadas.
Quantas pessoas morreram?
Pelo menos 57 pessoas morreram durante a travessia, informou o governo da Espanha. Os corpos foram recuperados nas águas pelas forças de segurança espanhola.
A rota entre o norte da África e a Espanha é considerada uma das mais perigosas para migrantes. Organizações humanitárias registram centenas de mortes todos os anos em tentativas de travessia pelo mar.
O caso de Ceuta não chega a configurar uma travessia pelo Mediterrâneo, uma vez que a cidade também fica no Norte da África, mas ainda assim parte dos imigrantes chegaram pelo mar, nadando ao longo da costa.

Veja momento em que imigrantes do Marrocos chegam a nado em Ceuta, cidade da Espanha
Onde é a cidade de Ceuta?
Ceuta é um exclave, uma cidade autônoma da Espanha localizada no norte da África. Junto com Melilla, é um dos únicos territórios da União Europeia que fazem fronteira terrestre com a África.
A cidade fica na costa do Mar Mediterrâneo, em frente ao Estreito de Gibraltar. Apesar de pertencer à Espanha há séculos, o Marrocos reivindica a soberania sobre o território, o que gera atritos diplomáticos recorrentes.
Por fazer parte da Espanha, Ceuta também integra a União Europeia. Para muitos migrantes, entrar na cidade representa a primeira porta de acesso ao bloco europeu.
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Mapa mostra localizações de Ceuta e Melilla, exclaves espanhóis na África, em meio a crise migratória em julho de 2026. — Foto: Dhara Pereira e Lara Bernardino/Arte g1
Como a Espanha reagiu?
O governo espanhol enviou unidades do Exército para apoiar a Guarda Civil e a polícia, que afirmaram estar sobrecarregadas diante do volume de pessoas chegando à fronteira.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou uma visita para esta sexta-feira (31) a Ceuta ao lado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. O governo também prometeu reforçar a cooperação com o Marrocos para controlar a fronteira e acelerar os processos de retorno de migrantes quando houver base legal para isso.
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Migrantes entram em Ceuta, enclave espanhol no norte da África, vindos do Marrocos. — Foto: Antonio Sempere / AP
Como a União Europeia reagiu?
A União Europeia declarou apoio ao governo espanhol e afirmou estar pronta para ampliar a cooperação no controle da fronteira externa do bloco. Entre as medidas estudadas está o reforço da atuação da Frontex, a agência europeia responsável pelo controle das fronteiras.
A chegada tem algum precedente?
A crise lembra a registrada em maio de 2021, quando cerca de 5 mil pessoas cruzaram a fronteira entre o Marrocos e Ceuta em apenas um dia.
Na época, o episódio foi associado a uma crise diplomática entre Espanha e Marrocos após Madri receber, para tratamento médico, o líder da Frente Polisário, movimento que defende a independência do Saara Ocidental.
🔍 O Saara Ocidental é um território no norte da África disputado há décadas. A maior parte da região é controlada pelo Marrocos, mas a Frente Polisário, movimento que busca a independência do território, reivindica a criação de um Estado próprio. A ONU considera o Saara Ocidental um território não autônomo e defende uma solução negociada entre as partes. A disputa é uma das principais fontes de tensão diplomática entre Marrocos e países europeus, incluindo a Espanha.
De onde os marroquinos vieram?
Segundo as autoridades espanholas, a maioria dos recém-chegados é formada por cidadãos marroquinos, embora também tenham sido registradas pessoas de outras nacionalidades africanas. Não se sabe a rota terrestre que os levou até a cidade, ao certo, nem as regiões de onde vieram.
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Imigrantes marroquinos nada até o exclave espanhol de Ceuta, no norte da África — Foto: Antonio Sempere / AFP
O que gerou o fluxo migratório?
As autoridades ainda investigam o que provocou a nova onda migratória.
O governo espanhol afirmou que há indícios de atuação de redes criminosas de tráfico de pessoas, que teriam incentivado ou organizado parte das travessias após mudanças recentes na interpretação das regras para devolução imediata de migrantes interceptados no mar. Até o momento, não há nenhum indício de participação por parte do governo marroquino.
Como a travessia aconteceu?
Grande parte dos migrantes entrou em Ceuta nadando ao redor dos quebra-mares da praia de Tarajal, que marca a fronteira entre Espanha e Marrocos.
Outros atravessaram caminhando pelos espigões costeiros ou tentaram superar as cercas que separam os dois territórios.
O que vai acontecer com os imigrantes?
Os migrantes que chegaram a Ceuta devem ser identificados e encaminhados para centros de acolhimento enquanto as autoridades analisam cada caso.
Quem pedir proteção internacional terá o pedido avaliado pelas autoridades espanholas. Outros poderão ser devolvidos ao Marrocos, conforme acordos bilaterais e as decisões da Justiça espanhola.
Imigrantes marroquinos correm para entrar em Ceuta após portão ser aberto — Foto: X / Reprodução
Fonte: G1

