WNBA se acerta com atletas, e salários poderão superar 1 milhão de dólares pela 1ª vez na liga
Após longas negociações, partes chegam a acordo para valorização de jogadoras. Novos salários são celebrados, mas ainda estão distantes da realidade da NBA
Por Redação do ge — Nova York, Estados Unidos
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A WNBA e a associação de jogadoras da liga americana de basquete chegaram a um consenso sobre um novo acordo coletivo de trabalho.
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O anúncio foi feito na última madrugada, em Nova York, após longas conversas presenciais, que se estenderam por mais de uma semana.
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Segundo as novas regras, haverá um aumento considerável dos salários, e, pela primeira vez, atletas poderão ganhar mais de 1 milhão de dólares por ano.

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A WNBA e a associação de jogadoras da liga americana de basquete chegaram a um consenso sobre um novo acordo coletivo de trabalho. O anúncio foi feito na última madrugada, em Nova York, após longas conversas presenciais, que se estenderam por mais de uma semana. Segundo as regras que entrarão em ação nos próximos meses, haverá um aumento considerável dos salários, e, pela primeira vez, atletas poderão ganhar mais de 1 milhão de dólares por ano (cerca de R$ 5,2 milhões na cotação atual). Apesar de a distância para os valores da NBA continuar grande, a mudança é comemorada por quem vive a WNBA.
– De forma inédita, teremos uma divisão de lucros entre liga e atletas, impulsionando o crescimento expressivo do teto salarial, aumentando a remuneração média para meio de milhão de dólares e elevando o padrão em instalações, equipes e pessoal – disse Nneka Ogwumike, ala-pivô do Seattle Storm e presidente da associação de jogadoras da WNBA.
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”Paguem o que nos devem”: atletas da WNBA chegaram a usar camisas com pedido de valorização salarial — Foto: Steph Chambers/Getty Images
Depois de liga e atletas entrarem em consenso, as conversas seguirão nos próximos dias, com o objetivo de formalizar o acordo de trabalho em um documento, que deverá ser assinado por jogadoras e dirigentes da WNBA.
O acordo anterior expirou em outubro do ano passado, mas, um ano antes, as atletas da liga americana de basquete já tinham sinalizado de que não concordavam com a manutenção das regras. Desde então, jogadoras protestaram contra os baixos salários e mantiveram conversas com a WNBA. As negociações, porém, só esquentaram neste mês de março, pouco antes do início da temporada 2026/2027 – a abertura oficial está marcada para 8 de maio.
De acordo com informações da “ESPN” americana, o teto salarial de cada equipe da WNBA chegará a 7 milhões de dólares por temporada. Ou seja, esse será o valor total que uma equipe poderá gastar com os vencimentos de todo o elenco. Para efeitos de comparação, na temporada 2025/2026, o teto salarial de um time da NBA supera os 154 milhões de dólares – número 22 vezes maior que o da liga feminina.
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A brasileira Kamilla Cardoso é uma das estrelas do Chicago Sky na WNBA — Foto: Patrick McDermott/Getty Images
Mesmo com a diferença para o torneio masculino, as jogadoras da WNBA celebram o novo acordo coletivo. Até 2025, o teto salarial era de 1,5 milhão de dólares. A partir da próxima temporada, o salário médio das atletas ficará em torno de 600 mil – contra os antigos 120 mil. O salário mínimo, por sua vez, vai superar os 300 mil dólares (era de 66 mil), e o vencimento máximo de uma jogadora poderá ultrapassar a marca de um milhão. Antes, não chegava nem a 250 mil dólares.
– Espero que jovens garotas vejam e sintam que suas vozes e valores importam, que não podem exigir menos do que isso. Agora, voltaremos ao jogo. Voltaremos à competição, a estar em quadra sentindo o apoio dos fãs – comentou Breanna Stewart, ala-pivô do New York Liberty e vice-presidente da associação de jogadoras da WNBA.
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Breanna Stewart é tricampeã olímpica pelos Estados Unidos — Foto: Gregory Shamus/Getty Images
Ainda há expectativa de que o novo acordo coletivo ajude em temas como a licença-maternidade e outros benefícios para ajudar jogadoras que precisam se afastar de suas famílias em momentos da temporada.
Com as negociações entre WNBA e associação de jogadoras encaminhadas, a liga terá outros temas para analisar antes do início do campeonato, em maio. Será preciso fazer um draft de expansão, por causa da entrada de duas novas franquias: Toronto Tempo e Portland Fire. Ainda começará o período em que as equipes poderão contratar atletas livres – a famosa “free agency” americana.

