Relatório da ONU aponta aumento da extinção de espécies migratórias nos últimos dois anos
Documento preliminar atualiza o estado de conservação das espécies protegidas pelo tratado internacional, que terão ações debatidas na COP15, em Campo Grande (MS), de 23 a 29 de março

Número de espécies ameaçadas de extinção também aumentou de 22% para 24%. – Foto: Rodrigo Agostinho/Ibama
Versão preliminar do relatório “Estado das Espécies Migratórias do Mundo (2026)” revela queda populacional de 49% das espécies migratórias protegidas pela Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS, na sigla em inglês), tratado ambiental internacional da ONU que organiza a COP15.
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O percentual representa alta de 5% na perda da fauna em apenas dois anos. O número de espécies ameaçadas de extinção também aumentou de 22% para 24% no mesmo período.
O estado de conservação dessas populações será debatido na 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS, na sigla em inglês), que ocorrerá em Campo Grande (MS), de 23 a 29 de março de 2026. O estudo da CMS baseará esse debate e orientará a tomada de decisão entre as 133 partes signatárias do Acordo.
Estado de conservação
Bilhões de animais selvagens aquáticos, aviários e terrestres migram por terra, rios, oceanos e céus. São essenciais para o bom funcionamento da natureza e para o bem-estar humano, polinizando plantas, transportando nutrientes, regulando ecossistemas, controlando pragas, armazenando carbono e sustentando meios de subsistência e culturas em todo o mundo.
Essas espécies denominadas como migratórias sofreram forte impacto nos últimos anos. Segundo o relatório, nas últimas três décadas, 70 espécies listadas pela CMS tornaram-se mais ameaçadas, em comparação com apenas 14 que apresentaram melhora em seu status. Atualmente, a lista da CMS conta com 1.189 espécies migratórias.
O relatório também aponta que 26 espécies listadas na Convenção (entre elas 18 aves limosas migratórias) passaram a integrar categorias de risco de extinção mais elevadas. Em contrapartida, sete espécies apresentaram recuperação, como o antílope saiga, o órix de chifre de cimitarra e a foca-monge-do-mediterrâneo.
As duas maiores ameaças às espécies migratórias são a superexploração e a perda de habitat causadas pela atividade humana. Dados do estudo mostram que três em cada quatro espécies listadas na CMS são afetadas pela degradação, fragmentação ou destruição de habitats, enquanto sete em cada dez sofrem com a superexploração. A mudança do clima, a poluição e as espécies exóticas invasoras agravam ainda mais o quadro.
Avanços
lançado na COP14 da CMS, em 2024, o documento é a segunda edição do levantamento sobre as espécies migratórias. Em comparação com a versão anterior, ainda que em caráter preliminar, o estudo apontou alguns avanços no mapeamento de rotas migratórias para subsidiar a tomada de decisões.
Iniciativas para mapear migrações estão ganhando impulso, com destaque para a Iniciativa Global sobre Migração de Ungulados (GIUM, na sigla em inglês), o Sistema de Conectividade Migratória no Oceano (MiCO, na sigla em inglês) e o trabalho da BirdLife International para identificar e mapear seis importantes rotas migratórias marinhas.
Há progresso também na identificação e proteção de habitats importantes e corredores migratórios. A pesquisa identificou 9.372 Áreas-Chave para a Biodiversidade (KBAs, na sigla em inglês), que são importantes para as espécies migratórias. No entanto, quase 50% da área total coberta por esses locais ainda está fora de zonas formalmente protegidas.
Negociações
“Esta atualização provisória mostra que o alarme ainda está soando. Algumas espécies estão respondendo a ações de conservação conjuntas, mas muitas continuam a enfrentar pressões crescentes em suas rotas migratórias. Devemos responder a essas evidências com ações internacionais coordenadas e eficazes”, observou Amy Fraenkel, secretária executiva da CMS.
Fraenkel também apontou a necessidade de avanços nos acordos entre países na COP15. “A questão que se coloca aos governos na COP15 é simples: iremos aliar esse conhecimento à vontade política e ao investimento necessários para garantir o futuro das espécies migratórias do mundo?”
Sob a presidência do Governo do Brasil e o comando do secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, a COP15 da CMS terá como objetivo abordar um conjunto ambicioso de ações que visam solucionar aspectos vitais da crise global da biodiversidade.
Ao todo, serão analisadas 17 propostas de alterações nos Anexos da Convenção, que categorizam as espécies em extinção e com necessidade de proteção, 11 relatórios sobre a implementação de Ações Concertadas no último triênio e outras 16 novas propostas dessas ações coordenadas entre países para lidar com as ameaças às espécies migratórias.
Também serão apresentados relatórios nacionais da situação de conservação das espécies nos países que fazem parte do acordo, entre outros documentos técnicos e políticos.
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Categoria
Meio Ambiente e Clima
Fonte: Gov Br

