Guerra das mansões
Guerra das mansões: entenda treta causada por bilionário nos Jardins
A obra da mansão de João Adibe, nos Jardins, causou imbróglio entre o bilionário, a associação de moradores e um banqueiro vizinho

A obra da masão do bilionário João Adibe, dono da Cimed, nos Jardins, causou um imbróglio entre moradores dos bairros nobres situados na zona oeste de São Paulo.
Revelado pelo Metrópoles, o caso se trata de uma batalha jurídica entre o Adibe— presidente da farmacêutica Cimed e 86° homem mais rico do país, com patrimônio estimado em R$ 5,2 bilhões, segundo a revista Forbes — a associação do bairro, Ame Jardins, e o banqueiro André Schawartz, CEO do banco Genial, vizinho de Adibe.
O conflito começou quando a Associação dos Moradores dos Jardins (AME Jardins) entrou com uma ação civil pública alegando que a obra foi aprovada como uma simples reforma, mas resultou na demolição quase total da construção original — um imponente casarão que teria tido apenas a fachada preservada, segundo a petição. A defesa de Adibe, por sua vez, afirmou que a obra foi autorizada por todos os órgãos competentes e já foi concluída há meses.
O Jardim Paulista, onde fica o lote, é um bairro estritamente residencial e submetido a rígidas restrições urbanísticas. Segundo a associação, a construção desrespeita regras de tombamento dos Jardins, ao extrapolar alturas máximas, descumprir recuos obrigatórios e realizar intervenções não previstas no projeto aprovado, como a construção de um segundo pavimento em uma edícula.
A AME Jardins ainda denunciou a supressão da vegetação do lote, com pavimentação que compromete a permeabilidade do solo, além de danos como infiltrações, redução de insolação e invasão de privacidade imóvel vizinho.
Além disso, a associação afirmou que as obras do imóvel continuaram mesmo com embargos do Condephaat e da Subprefeitura de Pinheiros.
“Os vídeos em anexo, datados de 06/12/2025 (sábado), demonstram com clareza a continuidade da conduta recalcitrante, irregular e mesmo ilegal dos réus, que menosprezam as decisões administrativas e as multas aplicadas, seguindo seu intento construtivo como melhor lhe aprouver, ainda que ao arrepio das normativas”, diz a ação.
Treta com banqueiro
Um dos vizinhos de Adibe, o banqueiro André Schawartz, CEO do banco Genial, afirmou que foi diretamente afetado pelas obras do bilionário. Um laudo técnico anexado à ação aponta que a demolição quase integral do imóvel vizinho, somada a serviços de terraplenagem pesada e uso de equipamentos de grande porte, teria provocado danos à residência de Schwartz.
O documento aponta o surgimento de trincas e fissuras nas paredes da casa, além de prejuízos ao uso regular do imóvel, que fica ao lado da mansão.
Em meio à polêmica, o banqueiro apresentou uma petição ao Condephaat na qual classificou como “deboche” um vídeo publicado pela mulher de Adibe, a influencer Cinthya Marques, em meio às ordens de embargo.
Na gravação publicada no fim de agosto (veja abaixo), ela descreve a movimentação de trabalhadores no local. “A betoneira está rolando ali. Tem gesseiro, tem eletricista. Também não sei o nome de tudo”, diz no vídeo, cujo link foi anexado no documento.
Em seu perfil com quase 300 mil seguidores, Cinthya ainda mostrou detalhes da residência – como a fonte de inspiração para sua piscina. ”Quando eu assisti o documentário do Gianni Versace, eu tinha certeza de uma coisa, que a próxima piscina da minha casa ia ser inspirada nele. Eu acho que o Gianni Versace ia ficar orgulhoso de mim, hein?”
Em outros trechos, a influencer exibiu a enorme garagem, o closet e o banheiro, acrescentando que a obra utilizou 43 tipos diferentes de pedras. “E as pedras mais bonitas são as nacionais”, frisou.
À época, os advogados de João Adibe, Daniel Bialski e Fabio Kadi, afirmaram que “a obra da casa foi autorizada por todos os órgãos competentes e já foi concluída há meses, portanto, não procede qualquer imputação de embargo”.
Decisão final da Justiça
O imbróglio teve seu desfecho na Justiça paulista com acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que negou recursos do empresário e manteve o embargo judicial da obra.
A decisão de primeira instância que foi mantida havia mandado paralisar a obra, embora a defesa argumentasse que ela já estava finalizada, em fase apenas de “ajustes decorativos” e paisagismo. Além disso, a Justiça havia garantido ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) a autorização de vistoria completa no imóvel, uma vez que os Jardins são bairros tombados.
A Justiça havia também vedado a expedição do Habite-se da obra. No entanto, o documento já havia sido expedido pela prefeitura na época da decisão, em dezembro do ano passado. Na ocasião, os desembargadores argumentaram que a mera emissão do documento não garantia a regularidade da obra.
O obra havia sofrido embargo administrativo e, a pedido da prefeitura, foi aberto um inquérito por desobediência na Polícia Civil.
A prefeitura afirmou ao Metrópoles que, em janeiro, o Habite-se da obra foi suspenso. “A medida foi adotada após constatação de que a obra foi executada em desacordo com o projeto aprovado”, disse a gestão.
Fonte: Metropoles





