São Paulo: 74% dizem que a gastronomia é o que faz a cidade sorrir
São Paulo: 74% dizem que a gastronomia é o que faz a cidade sorrir
Pesquisa inédita aponta que culinária e parques são os refúgios de 74% dos moradores que buscam alívio na rotina da metrópole.
- Data: 19/01/2026 18:01
- Alterado: 19/01/2026 18:01
- Autor: Redação
- Fonte: Hibou
Ao completar 472 anos, São Paulo exige fôlego, mas recompensa quem aprende a conviver com sua intensidade. Entre jornadas de trabalho extensas e deslocamentos complexos, o morador da capital constrói sua relação com a cidade através de pequenos prazeres. É o que revela um levantamento inédito do Instituto Hibou: para 74,2% dos 1.350 entrevistados, a gastronomia é o principal pilar de sustentação do orgulho local, seguida pelo entretenimento (56,7%).
A pesquisa desenha o perfil de uma metrópole que, apesar da dureza, oferece âncoras emocionais sólidas. São Paulo não é apenas o local de trabalho, mas um ecossistema onde a comida e o lazer funcionam como refúgios indispensáveis para a saúde mental coletiva.
A gastronomia define a identidade de São Paulo
A relação do paulistano com a alimentação transcende a necessidade biológica e se torna um traço cultural de adaptação. Em uma cidade de turnos estendidos, a “comida de balcão” assume protagonismo. O tradicional sanduíche de mortadela do Mercado Municipal lidera a preferência, citado por 49,5% como o maior símbolo local.
O ranking de identidade gastronômica segue com outros ícones da agilidade urbana:
- Pastel: 33,6%
- Coxinha: 21,8%
- Sanduíche de Pernil: 16,2%
- Churrasco Grego: 13,5%
Há um recorte geracional interessante nessa dinâmica. Enquanto a média geral prefere o lanche do Mercadão, os jovens de 16 a 34 anos elegem a coxinha (30,8%) como a verdadeira representante da capital. Essa indulgência urbana funciona como uma compensação imediata para o estresse diário que São Paulo impõe aos seus cidadãos.
Onde São Paulo respira: Ibirapuera e cultura
Se a comida conforta, os parques oferecem o respiro necessário diante do excesso de estímulos visuais e sonoros. O Parque Ibirapuera consolida-se como o principal cartão-postal e ponto de fuga, recomendado por 28% dos moradores.
A infraestrutura cultural também aparece como forte motivo de orgulho. A Avenida Paulista (18%) e instituições como o MASP e o Museu do Ipiranga (ambos com 11%) compõem o cenário de lazer. Esses espaços permitem que a população se reconecte com a essência de São Paulo fora do ambiente corporativo.
Pets e esportes moldam o novo estilo de vida
A solidão urbana encontra antídoto dentro dos lares. Os animais de estimação ocupam papel central na vida afetiva da capital: 56% dos domicílios possuem ao menos um pet. São cerca de 2,5 milhões de cães e 560 mil gatos atuando como companhia e suporte emocional para as famílias.
Nas ruas, o comportamento também muda. Embora o futebol permaneça soberano no imaginário popular (66%), a corrida de rua ganha tração acelerada. Citada por 41% dos entrevistados — chegando a 47,2% entre os jovens —, a prática reflete a busca por autocuidado compatível com agendas instáveis. A corrida se adapta à lógica de São Paulo, permitindo exercício físico sem depender de horários fixos.
“O paulistano aprendeu a conviver com uma cidade de contrastes. Há uma valorização do que traz prazer e bem-estar no cotidiano, ao mesmo tempo em que existe uma leitura bastante crítica dos serviços básicos”, analisa Lígia Mello, CSO da Hibou.
Desafios estruturais e a realidade dos dados
O amor pela cidade não cegada os moradores para seus problemas crônicos. A segurança pública é o ponto de maior crítica, citada por 84,1% como a área mais deficitária, seguida pela rede elétrica (65%) e abastecimento de água (58,4%).
Curiosamente, a percepção nem sempre alinha com a estatística global. Enquanto 58,8% acreditam que o trânsito local está entre os cinco piores do mundo, a capital ocupa a 66ª posição global. Da mesma forma, 49% acham que a cidade lidera roubos de celulares no país, embora índices de outras capitais sejam superiores.
Esses fatores, somados ao tempo de deslocamento — onde 27,3% gastam até duas horas diárias no trânsito —, alimentam o desejo de êxodo. Planos de deixar a metrópole fazem parte do horizonte de 32,5% da população. Contudo, a conexão emocional persiste: mesmo diante do caos, 17,8% afirmam categoricamente que amam viver em São Paulo.
Fonte: ABCdoABC


