A contratação de Gerson pelo Cruzeiro teve um desfecho positivo na última quinta-feira (8), mas o processo foi mesmo longo, duro e recheado de curiosidades. tendo começado ainda na reta final do ano passado.

ESPN apurou que o meio-campista, que vai fazer exames médicos e assinar contrato nesta sexta-feira (9), chegou ao Brasil em dezembro “preparado” para não voltar à Rússia, onde o futebol está parado até fevereiro, por causa do rigoroso inverno.

O jogador desembarcou no Rio de Janeiro praticamente com todos os pertences mais importantes na (extensa) bagagem e, de imediato, fez um pedido para o pai: fechar com a Raposa, com quem já tinha um princípio de namoro. Não queria outro destino no Brasil.

Marcão, então, se aproximou aos poucos da diretoria do clube mineiro, especialmente do presidente Pedro Lourenço, o principal entusiasta da negociação. Foram dias e mais dias de contatos telefônicos e também presenciais.

O acerto (verbal) entre Gerson e Cruzeiro foi teoricamente simples de atingir. Aconteceu há dias, aliás. Acordaram um contrato válido por quatro temporadas (até dezembro de 2029) e um salário bastante vantajoso, agora o maior do grupo dirigido pelo recém-contratado Tite.

Enquanto isso, o Zenit, de longe, não facilitava. Avaliou inicialmente o meio-campista em 40 milhões de euros (R$ 251,5 milhões), mas, nos bastidores, chegou a transparecer que estudaria com bons olhos um negócio na casa dos 30 milhões de euros (R$ 188,5 milhões).

Por que 30 milhões de euros? Porque foi basicamente o pacote que os russos desembolsaram em meados do ano passado na compra junto ao Flamengo. Pagaram 25 milhões de euros à vista para o Rubro-Negro e mais 4 milhões de euros de prêmio de assinatura para o jogador.

Sendo assim, o clube de São Petersburgo queria recuperar o investimento de 29 milhões de euros (sem contar os seis meses salários, logicamente). O técnico russo Sergei Semak, por sua vez, nunca opôs-se à saída do brasileiro (fez apenas 12 jogos e um gol).

Para garantir a repatriação de Gerson, a partir de hoje a maior compra da história do futebol no Brasil, a Raposa viu antes recusada pelo menos três propostas oficiais.

Os mineiros começaram com 12 milhões de euros (R$ 75,5 milhões) e, depois, passaram para 12 milhões de euros e a inclusão de Jonathan Jesus, avaliado entre 12 e 15 milhões de euros (R$ 75,5 e 94,5 milhões). Todas rejeitadas, apesar do interesse russo no jovem zagueiro.

Nas primeiras conversas, as negociações passavam por apenas dois intermediários: os agentes brasileiros Junior Mendonza e Carlos Meinberg Neto, ambos com moral nos corredores do Zenit. Isso, claro, sem contar os dirigentes celestes e o pai do jogador.

Quando Jesus foi incluído na tentativa de acordo, André Cury entrou no circuito. O empresário do defensor, no entanto, acabou por permanecer na sequência do negócio, mesmo com o seu cliente sendo retirado do negócio, a pedido de Tite.

Antes de avançar concretamente nas tratativas, o Cruzeiro viu cair ainda uma proposta de 27 milhões de euros (R$ 170 milhões) fixos. Porém, não foi totalmente em vão. A partir dela, os russos deram a entender que o aperto de mãos estaria próximo de acontecer.

Na quarta-feira à noite, a diretoria celeste desenhou aquela que acreditava ser a vitoriosa investida: 26 milhões de euros (R$ 163,5) fixos e 4 milhões de euros (R$ 25 milhões) por objetivos. Ou seja, um valor global de 30 de milhões de euros (R$ 188,5 milhões).

Entretanto, na manhã de quinta-feira, o Zenit resolveu reajustar o montante e ter a palavra final: 27 milhões de euros (R$ 169,8 milhões) fixos e 3 milhões de euros (R$ 18,7 milhões) por metas atingidas.

Enfim, acordo fechado.

A quantia variável acabou sendo formatada da seguinte maneira: 500 mil euros (R$ 3,1 milhões) por cada título coletivo do time (Copa do BrasilCampeonato Brasileiro, CONMEBOL Libertadores, entre outros) – a soma dos bônus tem 3 milhões de euros como limite.

Dos 27 milhões de euros fixos da transferência, os intermediários terão direito a 10%, ou seja, 2,7 milhões de euros (R$ 17 milhões). A quantia vai ser dividida entre Marcão (pai de Gerson), Junior Mendonza e Carlos Meinberg Neto (do lado do Zenit) e André Cury (do lado do Cruzeiro).

Por fim, e não menos importante (ou curioso), do montante encaixado por Marcão, algo em torno de 650 mil euros (R$ 4,2 milhões), o empresário Carlos Leite, que durante nos trabalhou com a gestão de carreira de Gerson, também vai receber uma parcela.

Fonte: ESPN