Saúde Mental no Trabalho: o que Janeiro Branco revela
Saúde Mental no Trabalho: o que Janeiro Branco revela
Saúde mental no trabalho deixou de ser tema periférico e tornou-se prioridade estratégica. O Janeiro Branco expõe falhas de gestão, cultura e liderança que impactam diretamente o bem-estar e a produtividade.
Primeira semana de janeiro não é só mais um tempo no calendário. É um convite à consciência. Todo início de ano carrega promessas silenciosas.
Promessas individuais não bastam para 2026
Promessas que fazemos a nós mesmos, às vezes em voz alta, muitas vezes apenas no pensamento. Esse ano que inicia:
- “eu vou cuidar mais de mim.”
- “vou trabalhar menos.”
- “vou priorizar minha saúde.”
No entanto, quando falamos de saúde mental no trabalho, precisamos ir além das promessas individuais.
Além disso, precisamos falar de responsabilidade organizacional, liderança consciente e do papel estratégico do RH.
Janeiro Branco não pode ser apenas uma campanha bonita. Pelo contrário, ele precisa ser um ponto de virada. E é exatamente sobre isso que quero falar hoje.
Saúde mental no trabalho não é fragilidade. É estrutura.
Saúde mental é estrutura, não fragilidade
Durante anos, o mundo corporativo tratou a saúde mental como um tema periférico. Frequentemente, era algo que ficava restrito a palestras pontuais, frases motivacionais na parede ou ações isoladas no calendário corporativo.
O impacto real do burnout, ansiedade e depressão
Na prática, o recado era claro: “Se você não aguenta, o problema é seu.” Burnout era visto como falta de resiliência. Ansiedade era confundida com “drama”. Depressão era invisibilizada.
Com o tempo, o cenário mudou. E não mudou por modismo — mudou por necessidade. As empresas começaram a perder talentos, produtividade, reputação e dinheiro. Além disso, os afastamentos aumentaram.
Os conflitos se intensificaram. A liderança entrou em colapso. E ficou impossível, portanto, continuar fingindo que estava tudo bem.
O trabalho adoece quando a gestão ignora o humano
Não existe saúde mental sustentável em ambientes que normalizam:
- Jornadas excessivas
- Falta de clareza de papéis
- Lideranças despreparadas
- Metas inalcançáveis
- Comunicação agressiva ou omissa
- Cultura do medo
- Falta de reconhecimento
- Assédio moral disfarçado de cobrança por resultado
Em resumo, não é o trabalho que adoece por si só. É a forma como ele é organizado, gerido e cobrado.
E aqui faço uma provocação direta: diante disso, quantas empresas falam de saúde mental, mas continuam recompensando líderes tóxicos porque “entregam resultado”? Esse é o ponto que ninguém gosta de encarar.
O papel do RH mudou — e precisa mudar mais
O papel do RH mudou — ou deveria ter mudado. RH não é mais operacional. Hoje, RH não é departamento de apoio. RH não é “quem cuida de gente” de forma romântica. Na prática, RH é gestor de risco humano, cultural e legal.
NR-01 e riscos psicossociais: o que muda na prática
Com a atualização da NR-01, isso ficou ainda mais claro.Atualmente, riscos psicossociais precisam ser identificados, avaliados e gerenciados como qualquer outro risco ocupacional.
Ou seja: saúde mental deixou de ser apenas discurso e passou a ser obrigação técnica, estratégica e jurídica.
Mas atenção: cumprir a norma não é suficiente.
Se o RH atuar apenas para “não dar problema”, ele falha no essencial: transformar a cultura.
Saúde mental começa na liderança, não no colaborador
Não adianta oferecer terapia se o gestor humilha. Da mesma forma, não adianta falar de equilíbrio se a liderança envia mensagens fora do horário. Também não adianta campanha se não existe escuta real.
Saúde mental no trabalho começa por líderes que:
- Sabem se comunicar com clareza e respeito
- Têm maturidade emocional para lidar com pressão
- Recebem formação em gestão de pessoas
- São avaliados não só pelo resultado, mas pelo impacto que geram nas pessoas
Liderança despreparada é um dos maiores riscos psicossociais dentro das empresas — e, ainda assim, é um dos menos tratados com seriedade.
Janeiro Branco precisa virar estratégia, não marketing
Janeiro Branco precisa sair do marketing e entrar na estratégia. Se janeiro termina e nada muda, a campanha falhou. O verdadeiro Janeiro Branco começa quando a empresa se pergunta, com honestidade:
- Como está o clima organizacional de verdade?
- Onde estão os maiores pontos de desgaste emocional?
- Que tipo de comportamento estamos tolerando?
- O RH tem autonomia ou apenas executa ordens?
- A liderança está preparada para lidar com pessoas ou apenas com números?
Essas perguntas não são confortáveis. No entanto, são necessárias.
Saúde mental também é governança
Empresas maduras entendem que saúde mental não é ação isolada, é sistema. Por isso, envolve:
- Diagnóstico contínuo
- Indicadores claros
- Acompanhamento de afastamentos
- Análise de rotatividade
- Escuta estruturada
- Revisão de processos
- Formação de lideranças
- Comunicação responsável
Não se trata de “cuidar porque é bonito”. Trata-se, sobretudo, de sustentabilidade do negócio. Ambientes emocionalmente adoecidos não são sustentáveis. Eles apenas disfarçam o colapso até que ele fique visível demais para ser ignorado.
O que eu aprendi como especialista de RH
Ao longo da minha trajetória, acompanhando RHs, líderes e empresas, aprendi algo fundamental:
Não existe cultura saudável sem coragem. É preciso audácia para dizer não, ousadia para confrontar práticas antigas e firmeza para formar líderes de verdade. É o que permite sair do discurso e, finalmente, entrar na ação.
RH que se cala adoece junto. Por outro lado, RH que se posiciona transforma. E sim, isso exige preparo técnico, emocional e estratégico.
2026 não será gentil com empresas despreparadas
O mercado está mais exigente. Os profissionais estão mais atentos. A legislação está mais clara. A sociedade está mais consciente. Consequentemente, empresas que não cuidam das pessoas perderão talentos.
Empresas que romantizam o excesso de trabalho perderão reputação. Além disso, empresas que ignoram saúde mental enfrentarão riscos jurídicos e humanos. E não será por falta de aviso.
Que esta primeira semana de janeiro seja um marco, não um post bonito
Se você é RH, reflita:
– diante desse cenário, qual é o seu papel real na saúde mental da sua empresa?
Se você é líder, reflita:
– como as pessoas se sentem trabalhando com você?
Se você é empresário, reflita:
– o modelo de gestão que você sustenta hoje é viável a longo prazo?
Janeiro Branco não é diz respeito a frases prontas. Fala sobre decisões difíceis. E toda decisão começa com consciência.

Por Mirella Mentora, especialista em RH Humanizado, Felicidade Corporativa e Desenvolvimento de Líderes. Acredita que o futuro das empresas está nas pessoas — e o futuro das pessoas, no poder do humano.
🎧Ouça o Episódio 209 do Podcast RH Pra Você Cast:
“Gestão de saúde nas empresas: O que não pode mais ficar de fora das políticas de bem-estar”
Nos últimos anos, as empresas brasileiras passaram por mudanças significativas na promoção do bem-estar. Essa transformação foi essencial para melhorar a qualidade de vida dos profissionais e fortalecer o engajamento no ambiente corporativo.
Para que saúde e bem-estar se tornem parte da cultura organizacional, é fundamental ir além de iniciativas isoladas. Assim, políticas bem estruturadas, programas estratégicos e benefícios eficazes são essenciais para gerar impactos reais no negócio e na vida dos colaboradores.
Estratégias para implementar programas de bem-estar
Para fomentar um ambiente saudável e produtivo, as empresas devem investir em ações concretas. Dessa forma, algumas estratégias incluem, por exemplo, a promoção do bem-estar dos colaboradores. Além disso, é essencial incentivar a comunicação aberta entre equipes, o que, por sua vez, fortalece o espírito de colaboração.
Do mesmo modo, adotar práticas de reconhecimento e valorização do trabalho contribui para um clima organizacional positivo. Por outro lado, é importante estabelecer metas claras e realistas, garantindo que todos tenham um direcionamento adequado. Em suma, ao implementar essas iniciativas, a empresa cria um ambiente mais equilibrado e eficiente:
- Incentivo à saúde mental no trabalho e física por meio de programas personalizados
- Criação de espaços que promovam interação e qualidade de vida
- Educação e treinamentos voltados à conscientização sobre bem-estar
Fonte: RH Pra Você


