Estações de metrô e ‘pílulas anti-HIV’: a estratégia de São Paulo contra a aids que virou referência mundial

Crédito,Ciete Silvério/Divulgação
Uma ida ao metrô dificilmente está entre os passeios que mais atraem quem visita São Paulo pela primeira vez. Mas na última semana o infectologista Ricardo Vasconcelos, da USP, se viu conduzindo um tour pelas estações para mostrar a um grupo de pesquisadores estrangeiros algo que só existe na capital paulista: máquinas criadas para distribuir PrEP e PEP, os comprimidos que vêm revolucionando o combate à aids, gratuitamente.
São as chamadas profilaxias pré e pós-exposição ao HIV, feitas com antirretrovirais capazes de reduzir em até 99% o risco de infecção pelo vírus. A primeira pode ser tomada diariamente ou sob demanda, antes de uma relação sexual que possa expor o usuário ao HIV. Já a segunda é indicada por 28 dias para quem já se expôs ao vírus e busca impedir que a infecção se estabeleça.
“Eu brincava que a PrEP precisava estar nos bebedouros e, em uma dessas brincadeiras, falei: ‘Gente, vamos colocar em uma máquina como aquelas de refrigerante'”, conta a idealizadora do projeto, Maria Cristina Abbate, coordenadora do Programa Municipal de IST/Aids de São Paulo, órgão ligado à prefeitura.
“A ideia é que as pessoas não precisem se dirigir a uma unidade de saúde. São os serviços de saúde que têm de se colocar na rotina delas.”

Crédito,Divulgação
Embora não substitua o uso do preservativo — já que previnem apenas a infecção pelo HIV, e não outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como sífilis, HPV, clamídia e gonorreia —, a PrEP oferece uma camada adicional de proteção e tem sido associada à redução de novos diagnósticos do vírus.
Um estudo publicado no The Lancet HIV, uma das revistas científicas mais respeitadas da área, mostrou que a implementação em larga escala do medicamento foi acompanhada por uma redução de cerca de 40% nas transmissões de HIV.
Além dos postos de saúde, em São Paulo a PrEP e a PEP também podem ser obtidas nas estações Brás, Consolação, Luz, Santana e Vila Sônia, entre as mais movimentadas da cidade. Cada usuário pode levar até três frascos com 30 comprimidos, quantidade suficiente para meses de uso.
Após dois anos de testes, a iniciativa, agora consolidada e em expansão, será um dos temas da 26ª Conferência Internacional sobre aids, que começou no Rio de Janeiro no domingo (26/7).
Fonte: BBC

