O último ato de um gênio: há 10 anos, Ronaldinho se despedia do futebol profissional
O último ato de um gênio: há 10 anos, Ronaldinho se despedia do futebol profissional
Partida nos Estados Unidos marcou o fim da carreira do astro em janeiro de 2016
Por Gustavo Garcia — Rio de Janeiro

Fluminense e Internacional marcou o último jogo de Ronaldinho
Dia 20 de janeiro de 2016. Estádio Lockhart, em Fort Lauderdale, nos Estados Unidos. O apito final do árbitro norte-americano Ted Unkel, aos 48 minutos do segundo tempo da vitória do Internacional sobre o Fluminense por 1 a 0, pelo Torneio da Flórida, selou mais do que o fim de uma partida: marcou o encerramento silencioso de uma era. Há exatos 10 anos, o mundo assistia, ainda sem saber, ao último jogo profissional de Ronaldinho Gaúcho, um dos maiores gênios da história do futebol.
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Ronaldinho Gaúcho vestiu a camisa 100 na Florida — Foto: Richard Souza
Com a camisa 100 nas costas, Ronaldinho deu adeus aos gramados de maneira discreta, quase improvisada, em um jogo que acabou se tornando um capítulo improvável de sua trajetória. Na época, a aposentadoria ainda não era oficial, o anúncio de pendurar as chuteiras só viria dois anos depois, mas aquele duelo em solo americano foi, na prática, o último ato de um craque que transformou o futebol em espetáculo.
Mesmo após rescindir contrato com o Fluminense no fim de 2015, depois de uma passagem breve, Ronaldinho voltou a vestir a camisa tricolor por um curto período em janeiro de 2016.
A presença no Torneio da Flórida fazia parte de um acordo firmado ainda durante sua contratação, e a organização da competição fez questão de contar com o astro como principal atração.
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Ronaldo e Ronaldinho no Torneio da Flórida em 2016 — Foto: Divulgação/Torneio da Flórida
No Fluminense, Ronaldinho não mostrou o futebol que encantou o mundo, mas ficou marcado por ser o último clube da carreira do jogador. Veja abaixo como foi o último “rolê aleatório” nos gramados do craque.
Balão em Eurico marca chegada ao Flu
Conhecido pelos dribles desconcertantes no gramado, Ronaldinho chegou ao Fluminense aplicando um chapéu fora das quatro linhas. Na época, o Vasco, presidido por Eurico Miranda, também tentou a contratação do jogador. O dirigente chegou a dizer publicamente que o negócio estava “90% fechado”.
Em entrevista ao Charla Podcast em 2024, Mário Bittencourt, que na época era vice de futebol do Fluminense e segue como dirigente atualmente, contou que por pouco não esbarrou com Eurico em uma ida à casa de R10.
– Na época precisávamos de um camisa 10. Um dia, o Ricardo Corrêa, nosso scout, entrou na minha sala e perguntou: “Oque você acha do R10?”. Antes ele era scout de uma empresa na Espanha e era amigo do Ronaldinho… Eu mantive isso a sete chaves. Ele marcou uma reunião na casa dele. Quando eu estava entrando no condomínio na Barra, o segurança falou: “Eu sou Flamengo, mas me falam que você é um cara legal. Vou te falar que o Doutor Eurico acabou de sair daqui… ” – disse Mário.
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Dia em que Ronaldinho recebeu a 10 do Fluminense — Foto: Alexandre Vidal / Agência FotoBR
O “olé” de Ronaldinho em Eurico, porém, não foi o único na ocasião. O Anatalyaspor, da Turquia, também anunciou o astro mundial após a saída dele do Querétaro, do México. Algo que depois não se concretizou, já que ele fechou mesmo foi com o Fluminense.
– Fiz uma proposta dentro das condições do Fluminense. Não perguntei quanto o Vasco tinha oferecido. Fizemos uma série de reuniões. Até que culminou na reunião final. Anunciamos ele contra o próprio Vasco, no Maracanã – disse Mário ao Charla.

Ronaldinho Gaúcho é apresentado com festa, mas vê Vasco vencer Fluminense no Maracanã
Ronaldinho foi apresentado oficialmente pelo Fluminense no dia 19 de julho de 2015, um domingo, no estádio do Maracanã. A cerimônia ocorreu antes do jogo contra o Vasco pelo Brasileirão. A festa ficou marcada na memória de muitos tricolores que estavam no estádio.
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Ronaldinho é apresentado pelo Fluminense — Foto: Marcelo de Jesus
Na época em que Ronaldinho assinou com o Fluminense, um jovem de Xerém surgia com grande prestígio em Laranjeiras. Danielzinho, que fez parte do elenco campeão da Libertadores 2023, era o camisa 10 na base tricolor. Quando R10 foi contratado, os dois chegaram a protagonizar uma reportagem para a ESPN em Laranjeiras após ele marcar um golaço na base que viralizou.
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Ronaldinho em Fluminense x Grêmio — Foto: André Durão
O meia conta que foi pego de surpresa com o encontro. Mas o que chamou mais atenção foi a humildade de Ronaldinho de uma forma geral. O meia lembra que o craque era muito acessível.
– Muitos jogadores iam para a casa dele. O pessoal elogiava muito isso dele, sabe? Que ele não tinha diferencial. O cara que tem nome, o cara que está subindo da base, e mesmo assim ele falava: “Está precisando de alguma coisa?”. Era um cara muito acessível para todo mundo.
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Wellington Silva e Ronaldinho Gaúcho no Fluminense — Foto: Nelson Perez / Fluminense
Apesar da expectativa criada, Ronaldinho Gaúcho não conseguiu emplacar no Fluminense. Menos de três meses depois, rescindiu o contrato com Flu no dia 28 de setembro. Ronaldinho passava por um momento conturbado por não estar rendendo o esperado. No total, disputou nove jogos pelo time, sendo oito no Brasileirão e um na Copa do Brasil.
– No começo ele estava bem animado. Mas na reta final ele já não estava. Eu até perguntei na época o que estava acontecendo. Ele disse que morava longe das Laranjeiras, demorava mais de uma hora para ir para casa. Ele gostava de jogar, não gostava tanto de treinar. Ele jogando era diferente também. Era outro Ronaldinho. A felicidade era só jogar. A distância, o trânsito, isso acabou pesando um pouco. – diz Wellington Silva sobre a saída de R10 do Fluminense ao ge.
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Ronaldinho, em ação pelo Fluminense no Torneio da Flórida — Foto: Reprodução/Instagram Florida Cup
Apesar da saída precoce, Ronaldinho ainda voltaria a vestir a camisa do Flu por questão contratual em janeiro de 2016. Isso aconteceu por causa de um acordo firmado durante sua contratação, que previa sua participação no Torneio da Flórida. Sem vínculo formal com o clube e já distante da rotina do elenco, Ronaldinho se apresentou na véspera do torneio, ciente de que entraria em campo.
Foi assim, quase como um rolê aleatório, que um gênio encerrou sua carreira: entrou aos 13 minutos do segundo tempo do empate contra o Shakhtar Donetsk em 1 a 1, no dia 16 de janeiro, na vaga de Richarlison. Depois, foi a campo aos 25 minutos do segundo tempo, no lugar de Cícero, na derrota por 1 a 0 para o Internacional, quatro dias depois.
Astro mundial
Ronaldinho Gaúcho foi um dos jogadores mais talentosos e carismáticos da história do futebol. Revelado pelo Grêmio, brilhou no PSG antes de viver o auge da carreira no Barcelona, pelo qual conquistou Espanhóis e a Liga dos Campeões. Também foi eleito o melhor jogador do mundo pela Fifa em 2004 e 2005.
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Ronaldinho Gaúcho representou entre 2003 e 2008 o futebol mágico que o Barcelona queria — Foto: Getty Images
Pela Seleção, foi campeão da Copa do Mundo de 2002, da Copa América de 1999 e da Copa das Confederações de 2005. Ainda teve boas passagens por Milan, pelo qual venceu o Campeonato Italiano, e pelo Atlético-MG, liderando o time na conquista histórica da Libertadores de 2013. Conhecido pelo estilo irreverente e pela habilidade única, Ronaldinho marcou uma geração com sua genialidade em campo.
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Ronaldinho venceu a Bola de Ouro com a camisa do Barcelona em 2005 — Foto: Luis Bagu/Getty Images
As atuações na Flórida viriam a ser as últimas da carreira de Ronaldinho. Se a entrega nos gramados não aconteceu, fora dele Ronaldinho acabou atraindo os holofotes para o Fluminense, que na época vivia um período difícil após a saída da principal patrocinadora. Apesar dos pesares, o período é lembrado com carinho por parte dos tricolores.
Fonte: Ge

