Moradores da Zona Sul de SP questionam prisão de dois homens presos há 11 dias sem provas de crime

Vítimas não reconheceram os dois acusados; advogado questiona maneira como polícia fez o reconhecimento dos rapazes e entrou com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça de SP.

Moradores do Campo Limpo, na Zona Sul de São Paulo, estão fazendo um movimento contra a prisão de dois homens acusados de praticar assaltos em Pinheiros, na Zona Oeste, no sábado (2). Eles estão presos desde o dia 3 de janeiro, apesar de haver provas de que não cometeram o crime, de acordo com a defesa deles. As vítimas também não reconheceram os dois rapazes.

João Igor dos Santos Silva, de 37 anos, e Felipe Patricio Lino Ferreira, de 20, são conhecidos por trabalhos sociais em comunidades da Zona Sul. Igor é produtor audiovisual e participa de projetos sociais. Felipe é lutador de Artes Marciais Mistas (MMA) e dá aulas de artes marciais de graça.

O caso aconteceu na rua Paes Leme, em Pinheiros. Segundo as vítimas, dois homens roubaram dinheiro, celulares, relógio e uma mochila. Um deles apontou um objeto que aparentava ser uma arma. Uma das vítimas contou que os criminosos foram a pé em direção ao terminal de ônibus.

Ainda segundo o boletim de ocorrência, umas das vítimas pediu ajuda para um motorista de aplicativo que estava de passagem. Ele começou a seguir dois homens até o Terminal Pinheiros, ligou para polícia e disse em qual ônibus eles embarcaram.

Os policiais localizaram o ônibus e prenderam João Igor e Felipe, que estavam a caminho de casa, no Campo Limpo. A polícia disse que identificou os dois pelas características e, principalmente, pelas roupas que usavam no dia da ação.

Após a prisão, uma das vítimas disse que não tinha condições de reconhecer os dois porque “Não estabeleceu contato visual com os bandidos”. A outra contou que “apenas reconhece as roupas dos dois”.

Para a advogada e amiga Júlia Maria de Siqueira, a prisão dos rapazes é arbitrária.

“Sem dúvida nenhuma, a prisão do Igor e do Felipinho como mostram as provas é arbitrário e ilegal, porque essas prisões ilegais ocorrem no Brasil. O Brasil é um país onde os negros têm que provar sua inocência, diferente do que está na Constituição, que é a presunção de inocência.”

 

A defesa de João Igor e Felipe também questiona a maneira como a polícia fez o reconhecimento. O advogado Vanderlei Lima e Silva entrou com pedido de habeas corpus na Justiça de SP. Ele alega que os dois estavam no Largo da Batata para fazer um lanche e que a polícia não encontrou nada do que foi roubado, nem a suposta arma usada no crime.

“Não é de acordo com o Código Penal onde o acusado deve ser colocado em meio a várias outras pessoas para que a vítima consiga diferenciar um do outro. Aqui no Brasil não acontece nunca e no caso específico ficou os dois e mesmo tendo só os dois onde a vítima poderia falar ‘são eles’, a vítima falou ‘não reconheço'”, afirma o advogado.

 

A defesa também tem vídeos que mostram João Igor e Felipe andando em Pinheiros em um horário em que o crime já tinha ocorrido. Nas imagens, os dois não carregam nada nas mãos.

“Nenhum carro seguindo eles. O motorista que diz que os acompanhou ou ele está muito enganado ou está mentindo”, argumenta o advogado.

A Polícia Civil afirma que a prisão em flagrante foi fundamentada em depoimentos de testemunhas, vítimas e o reconhecimento do motorista de aplicativo, e que a Justiça determinou a prisão preventiva dos dois.

O Tribunal de Justiça recebeu o pedido de habeas corpus na quarta-feira (13) e disse está com o relator para análise.

Fonte: G1

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