Indígenas Pankararu enfrentam fome e falta de emprego na Zona Oeste de SP

Os Pankararus vieram para São Paulo na década de 50 e ajudaram na construção do Estádio do Morumbi e do Palácio do governo. Eles se fixaram no Jardim Panorama e no Real Parque, na Zona Oeste. Atualmente vivem nesses bairros 561 indígenas, a maior concentração de Pankararus da cidade de São Paulo.

Ao lado de um dos mais luxuosos condomínios da capital paulista vivem os indígenas Pankararu, na favela Real Parque, na Zona Oeste. Eles deixaram as aldeias para viver na cidade enfrentam a desigualdade social.

A situação se tornou ainda pior com a pandemia. A maioria dos indígenas sofre com a falta de estudo e de emprego, problemas que se agravaram desde o ano passado. Nesta segunda-feira (19) se comemora o Dia do Indígena.

Cerca de 42 mil indígenas vivem no estado de São Paulo. A Ivone Pankararu é uma delas.

“Nasci e fui criada aqui, meus pais são da aldeia Brejo dos Padres, em Pernambuco. Aqui eu vivo com cinco pessoas. Meu marido, eu e meus três filhos. A gente vivia com salário mínimo, ele era ajudante de cozinha e com a venda do artesanato a gente conseguia pagar as contas. A gente se virava”, conta Ivone.

Adilson Luiz do Nascimento, marido de Ivone, conta que a renda caiu a praticamente a zero. Há mais de três meses estão atrasadas as contas de água, luz, gás.

“Ano passado tinha muita doação. Já nesse começo de ano está mais difícil, a gente não conseguiu nenhuma doação”, afirma Ivone.

Clarice Josivânia da Silva, presidente da Associação SOS Pankararu, confirma que as doações despencaram.

“Ano passado a gente teve bastante doação e esse espeço ficava cheio de frutas, cestas básicas, bolachas. Nesse começo de ano não conseguimos nenhuma doação. Estamos no meio de abril e ainda não consegui ajudar as famílias” afirma.

Os Pankararus vieram para São Paulo na década de 50 e se fixaram no Jardim Panorama e no Real Parque, na Zona Oeste. Atualmente vivem nesses bairros 561 indígenas, a maior concentração de Pankararus de São Paulo.

“Eles vieram para trabalhar, ajudaram a construir o Estádio do Morumbi, por exemplo. Eu falo que o estádio e o Palácio do governo são só referências. Na verdade São Paulo inteira foi construída por mãos indígenas, que são esquecidas”, afirma Clarice.

Esses indígenas nem sempre têm dinheiro para comer, como conta a Michele Silva, uma indígena de 11 anos.

“Quando sinto fome, se minha só tem dinheiro ela me dá para comprar alguma coisa, mas se ela não tem… Tem de ficar com come. Não é todo dia que a gente tem dinheiro”, afirma.

Os indígenas também enfrentam preconceito na cidade.

“Muitas pessoas questionam a gente morar na cidade e não na aldeia, que então a gente não é indígena. Não, a gente é indígena em qualquer lugar, em qualquer território. Eu não deixo de praticar a minha cultura porque saí da aldeia. Eu não perco a minha identidade porque eu saí da aldeia. Eu sou indígena em qualquer lugar”, afirma Clarice.

Quem quiser ajudar os indígenas pode procurar a Associação SOS Pankararu. O endereço é Rua Bourrol, 120, bloco 6, Real Parque.

Fonte: G1

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