Prefeitura de SP vai abrir 105 leitos de UTI para Covid-19 no Hospital da Cantareira, diz secretário

Unidade atenderá apenas pacientes com Covid-19 a partir desta quarta-feira (24) e Covas deverá anunciar na quinta-feira (25) usina de oxigênio na cidade, de acordo com secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido. Anúncio foi feito nesta terça-feira (23), durante sessão online da Câmara Municipal.

O secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, disse nesta terça-feira (23) que a Prefeitura vai abrir na quarta-feira (24) 105 leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) no Hospital da Cantareira, que atenderá exclusivamente pacientes com Covid-19.

O anúncio acontece no dia em que o estado bateu recorde ao registrar 1.021 novas mortes por Covid-19 e foi feito durante sessão da Câmara Municipal nesta terça. Por causa da pandemia, a sessão ocorreu de forma online e foi transmitida pelas redes sociais da Casa.

“Amanhã, vamos abrir 105 leitos só no Hospital Cantareira, o nono hospital que a gente abre na capital só nesse período. Nós teríamos uma quantidade maior de leitos ali de enfermaria, mas vamos só concentrar leitos de UTI, conseguimos oxigênio”. disse.

Segundo o secretário, a Prefeitura deve anunciar mais 200 leitos na próxima semana.

O secretário afirmou que o Hospital de Parelheiros, na Zona Sul, tem atualmente 318 leitos, sendo quase 200 de UTI. Serão abertos no primeiro subsolo mais 40 leitos de enfermaria. O Hospital da Brasilândia, na Zona Norte, tem 428 leitos de Covid-19, maior número de leitos do Brasil, de acordo com Aparecido.

Nas últimas semanas, a capital abriu 555 leitos nos chamados “hospitais de catástrofe”.

No Hospital do Jabaquara, na Zona Sul, foi separado um andar para pacientes com outras doenças que não Covid-19 e dois andares para pacientes com Covid-19. São 300 vagas de UTI.

Já no Hospital de Itaquera, na Zona Leste, foram retirados todos os pacientes que não estão com Covid-19. “Tiramos crianças e mães que iam ter bebês e agora tem mais de 250 leitos para Covid. Uma verdadeira operação de guerra, mas felizmente tudo deu certo até agora.”

Nesta terça-feira (23), os hospitais municipais da capital tinham 91% de taxa de ocupação de UTI, os hospitais privados, 90% e os hospitais estaduais, 95%.

“A pressão é obviamente muito grande. Hoje temos gente que estamos acompanhando ou oxigenando ou com nebulização, pessoas em UBS, Amas, Upas, em Prontos-Socorros em HDs, todo leito que a gente pode estruturar para receber alguém para ter o primeiro acompanhamento e ser cuidado minimamente, até chegar o momento de ir para um leito mais sofisticado de enfermaria e UTI, nós fizemos, com os nossos Hds enfim, com todas as nossas estruturas que temos.”

Oxigênio

Aparecido afirmou que a abertura de leitos de UTI no Hospital da Cantareira foi possível porque conseguiu fornecimento de oxigênio. De acordo com o secretário, na última terça-feira (16), a Prefeitura foi procurada pela empresa que fornece oxigênio e detém 70% do mercado brasileiro na área hospitalar.

“Eles não têm problema para entrega de oxigênio, têm o insumo, mas não a logística de entrega pulverizada, o que estamos resolvendo. Passamos, então, a concentrar pacientes em algumas unidades e o prefeito deve anunciar na quinta que readequamos os fornecedores. O prefeito vai anunciar uma usina de oxigênio.”

O secretário ainda negou que tenha faltado oxigênio em unidades de saúde da capital. Ele citou o caso do Hospital Ermelino Matarazzo, em que os profissionais pediram a reposição de oxigênio e que ele chegou apenas dez horas depois, mas que ninguém morreu.

“Transferimos 10 pacientes para o Hospital de Itaquera, às 21h chegaram os cilindros e ninguém morreu. Tivemos dois óbitos de pessoas que já estavam ruins e acabaram falecendo”, afirmou.

Aparecido também citou o caso na UPA Tito Lopes, em São Miguel Paulista, na Zona Leste.

“Estávamos enchendo o tanque da UPA Tito Lopes e estava já 80% carregado quando uma das válvulas quebrou, o oxigênio começou a congelar. Aí transferimos quatro pacientes para o Tide Setúbal do outro lado da rua, mas uma hora depois já tinha consertado. Disseram que tinham morrido, mas não é verdade.”

De acordo com Aparecido, a capital costumava usar cerca de 55 m3 de oxigênio por dia e atualmente a o gasto é de quase 200 m3 por dia.

“Estamos enchendo o tambor das Upas três vezes por dia, e antes era uma vez por dia. No Hospital M Boi Mirim, o gasto de oxigênio passou de 20 mil m3 por dia para 40 mil m3. Tem que repor todo dia, mas lá é pequeno, só entra caminhão pequeno.”

Aparecido também afirmou que a Prefeitura conseguiu normalizar a compra de kits intubação. Mais cedo, o governo do estado disse que São Paulo tem estoque de medicamentos necessários para intubação de pacientes em estado grave de Covid-19 para só mais uma semana.

“Fizemos essa semana uma compra de insumos, de medicamentos, chamado kit intubação que assim a gente dá conta de atender todo mundo. Conseguimos fazer uma compra que está sendo entregue dia sim e dia não.”

Os neurobloqueadores são usados para relaxar a musculatura, a caixa torácica e ajudam os pacientes permanecer com ventilação mecânica e a suportá-la. Entre os mais usados no país, estão atracúrio, rocurônio e cisatracúrio.

Segundo a Secretária Estadual da Saúde, o risco de desabastecimento se deve à falta de envio dos remédios por parte do governo federal.

Fonte: G1

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