Doria mantém plano de vacinação contra Covid-19 em SP e cobra data do Ministério da Saúde após Anvisa pedir mais dados da CoronaVac ao Butantan

O governador de São PauloJoão Doria (PSDB), disse nesta segunda-feira (11) que o cronograma de vacinação contra a Covid-19 no estado está mantido, com previsão de iniciar a campanha até 25 de janeiro. Ele também cobrou do Ministério da Saúde uma definição de data para o programa nacional de imunização.

“O governo federal não admite que não tem a data para início do programa nacional de imunização. E por que não tem? Porque insiste em amparar uma decisão cientifica, de saúde, em uma decisão de ordem política, para favorecer um interesse eleitoral ou ideológico de dizer: ‘Esta vacina será a primeira'”, disse Doria em entrevista coletiva.

As declarações foram feitas após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter anunciado, nesta sexta-feira (8), que pediu ao Instituto Butantan mais dados sobre o resultado dos testes da CoronaVac realizados no Brasil.

Na ocasião, o instituto disse que a solicitação faz parte do processo e que seria prontamente atendida. Nesta segunda, o Butantan afirmou que 48% do processo já foi concluído e que a agência já analisou cerca de 40% dos documentos enviados.

O Plano Estadual de Imunização (PEI) foi elaborado pelo governo paulista considerando justamente a aplicação da CoronaVac, que é produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com Butantan.

O pedido de autorização para uso emergencial do imunizante foi feito na semana passada e segue em análise pela Anvisa. O prazo para a agência aprovar ou não o pedido é de dez dias.

Também nesta segunda, o secretário da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, disse em entrevista à GloboNews que os dados completos a respeito da eficácia da CoronaVac aferida nos testes no Brasil vão ser apresentados nesta terça-feira (12).

Na semana passada, o instituto havia anunciado que o imunizante atingiu 78% de eficácia em casos leves e 100% em casos graves e moderados (ou seja, a vacina protegeu contra mortes e complicações mais severas da doença).

Entretanto, ainda não foi divulgada a chamada eficácia global da Coronavac, que aponta a capacidade da vacina de proteger em todos os casos – sejam eles leves, moderados ou graves.

Programa nacional x programa estadual

Neste sábado (10), o diretor-geral do Instituto Butantan, Dimas Covas, confirmou que governo federal incorporou todas as doses da CoronaVac no Plano Nacional de Imunização (PNI) e deve gerir o calendário de distribuição das vacinas em todo o país.

Questionado sobre como a data de início do plano estadual pode estar mantida – já que o Instituto Butantan assinou um contrato de exclusividade para fornecer a CoronaVac para o governo federal – Doria disse apenas que “a exclusividade é pela vida”.

O governador alegou ainda que “o sistema nacional de imunização será respeitado e atendido por São Paulo se atender São Paulo, dentro de critérios científicos”.

 

Em complemento à resposta de Doria, o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, citou a possibilidade de um plano estadual que adianta a vacinação do programa nacional, mencionando como exemplo a campanha nacional de vacinação contra a gripe, que já foi adiantada por governos estaduais.

“Entrar para o programa nacional de vacinação também é seguir todos os quesitos que o programa nacional de imunização exige, como grupos prioritários, e assim o faremos. Naturalmente, assim como acontece com a vacina da gripe, parte dessas vacinas acabam ficando, proporcionalmente, para o estado de SP”, disse Gorinchteyn.

“Como é feito pra vacina da gripe, que 100% é disponibilizada para o ministério, essa proporcionalidade permite que estejamos antecipando a campanha de vacinação da gripe, como aconteceu já nos últimos três anos”, completou o secretário.

 

Doses

 

Na coletiva desta segunda, o secretário da Saúde disse que, por conta do acordo com o governo federal, o número de doses disponíveis para o estado de São Paulo deve ser menor que o previsto inicialmente.

“Temos que entender que, hoje, a única vacina que temos disponível no nosso país é a vacina do Butantan, que será, a partir do momento [em] que [for] liberada pela agência reguladora, Anvisa, distribuída para os estados. Desta maneira, nós entendemos que terá uma fração muito menor para o estado de São Paulo frente àquela que imaginávamos, de 46 milhões de doses”, afirmou Jean Gorinchteyn.

 

O governo paulista também admitiu a possibilidade de atrasar a aplicação da segunda dose da CoronaVac para que um número maior de pessoas possam receber a primeira.

Coordenador-executivo do Centro de Contingência da Covid-19 de SP, João Gabbardo afirmou:

“Nosso cronograma inicial foi baseado em fazer duas doses, num prazo entre 14 e 28 dias [entre a primeira e a segunda]. Existe a possibilidade de manter os mesmos grupos a serem vacinados, com a possibilidade de a segunda dose ser postergada. Não estou dizendo isso como uma posição definitiva. O Centro de Contingência ainda não se posicionou sobre esse tema, mas esta é uma possibilidade”.

Plano de vacinação estadual

 

Os dados do PEI apresentados pelo governo estadual nesta segunda são similares aos divulgados na quarta-feira (6).

A promessa é utilizar os 5,2 mil postos de vacinação já existentes nos 645 municípios do estado e ampliar a rede para até 10 mil locais de vacinação por meio da utilização de escolas, quartéis da PM, estações de trem e terminais de ônibus, além de farmácias e de pontos de vacinação no sistema drive-thru.

Para a logística da 1ª fase de imunização, o governo do estado promete ainda:

  • Distribuição – até 2 milhões por semana, em média, com uso de 70 caminhões refrigerados; até a última quarta (6), a previsão era de 30 caminhões.
  • Profissionais de saúde – atuação de 52 mil; até a última quarta (6), a previsão era de 54 mil profissionais.
  • Materiais – uso de 75 milhões de seringas e agulhas; dessas, 20 milhões já estão distribuídas para a rede de saúde, segundo o governo, e outras 50 milhões serão distribuídas em remessas mensais de janeiro a agosto.
  • Refrigeração – uso de 5,2 mil câmaras frias, cuja manutenção preventiva foi feita nos 25 Grupos de Vigilância Epidemiológica Regionais em todo o estado.
  • Entrega para municípios – distribuição direta para 200 municípios com mais de 30 mil habitantes semanalmente e via 25 postos estratégicos de armazenamento para os outros 445 municípios do estado.
  • Policiamento – emprego de 25 mil policiais para escolta das vacinas e segurança dos locais de vacinação.

 

Fonte: G1

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