Saudosista, Dudu quer voltar ao Palmeiras. Mas só depois de três anos no Catar

Atacante ainda tem contrato com Verdão, mas reitera desejo de seguir no exterior

O atacante Dudu, ídolo do Palmeiras emprestado ao Al Duhail, do Catar, ainda é jogador do clube paulista – mas deixará de ser em breve, se depender da vontade dele.

O empréstimo do atleta expira no meio do ano. Seria a chance de o brasileiro tomar o caminho de volta para o Allianz Parque, mas o assunto será definido nos próximos meses. Se permanecer, Dudu vai render ao Verdão mais seis milhões de euros além dos sete milhões de euros já pagos pelos cataris na primeira transferência.

– Não posso esconder a minha vontade de continuar aqui. Se o clube me comprar, eu vou, automaticamente, ficar mais dois anos. Eu quero ficar aqui, ter esse tempo meu aqui no Catar – afirmou ele, ao Esporte Espetacular.

 

– Fico vendo vídeos dos meus gols (pelo Palmeiras) para relembrar. Mas se voltar agora, foi porque eu não fiz um bom trabalho aqui. E eu não quero sair daqui desse jeito. Quero sair daqui como foi no Palmeiras, pela porta da frente, com as pessoas querendo que eu não tivesse vindo pra cá. Naquele momento, aconteceram algumas coisas que o melhor era ter vindo para cá, e eu vim.

O ex-Palmeiras se refere às acusações feitas pela ex-esposa Mallu Ohana de agressão contra ela. Em janeiro deste ano, ele foi inocentado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP). Até o momento, a reportagem não conseguiu localizar os advogados nem contatar Ohana.

O saudosismo acompanha Dudu no Catar. Mantém contato frequente com os ex-colegas, funcionários do clube paulista e com o presidente Maurício Galiotte.

– Ele (Galiotte) sempre me pergunta se eu estou bem, se estão me tratando bem aqui, se meus filhos estão precisando de alguma coisa aí (em São Paulo). Meus filhos moram em frente ao CT e fazem escolinha de futebol no Palmeiras. Então ele sempre me liga, me pergunta se está tudo bem.

Mesmo de longe, fica claro que o laço entre Dudu e o Verdão não foi rompido. E nem será.

– Todo mundo sabe o respeito, carinho e amor que eu tenho pelo Palmeiras. Não tenho dúvidas de que, se eu ficar os três anos aqui, quando eu voltar para o Brasil, o primeiro clube que eu vou pensar é o Palmeiras.

Dudu foi homenageado quando completou 300 jogos pelo Palmeiras — Foto: Marcos Ribolli

De longe, o atacante viu o Palmeiras fazer a melhor temporada em quase três décadas. Mesmo ausente das conquistas da Libertadores e da Copa do Brasil, ele diz não lamentar por não ter participado desse momento.

– Eu fiquei muito feliz, de coração, por tudo que é mais sagrado. Eu torço pelos caras, falo com os meninos direto. Eu ia ficar triste se eu tivesse saído para um lugar que eu não estivesse feliz. Mas não. Eu estou aqui e estou feliz. Cara, era um sonho meu ganhar a Libertadores jogando pelo Palmeiras? Sim, era um sonho. E esse sonho continua. Não vai acabar.

– Aqui, eu estou tranquilo, tranquilo. Bem adaptado aqui ao país. Um país diferente, que tem uma cultura diferente do Brasil. Uma cidade diferente de São Paulo. Uma cidade mais tranquila. Tem que até ter um pouco de paciência porque é tranquila até demais. Então eu estou me adaptando muito bem aqui, no clube e com meus companheiros. Estou bem feliz aqui no Catar.

Dudu vive bom momento no clube. Em 32 jogos, tem 12 gols e 17 assistências (um dos líderes do campeonato nacional nesse quesito). O maior objetivo do Al Duhail é vencer a próxima Liga dos Campeões da Ásia, que começa em abril para a equipe.

– O clube fez as contratações pensando nessa Champions League. Ano passado, eu cheguei, disputei e infelizmente a gente saiu na primeira fase. Neste ano, a gente está mais entrosado, se conhece. Temos um treinador que está aí há uns quatro, cinco meses. Já conhecemos o jeito que ele gosta de jogar. Então esse é o nosso objetivo.

No Catar, Dudu mora com a noiva, a modelo Paula Caroline. Os dois vivem juntos, mas separados das famílias, que seguem no Brasil enfrentando um difícil momento por causa do novo coronavírus. Vacinado em duas doses, o atacante compara como os dois países atuam no combate ao Covid-19.

– Parece que no Brasil essa Covid nunca vai passar, mas a gente torce para que passe o mais rápido possível. Aqui, a maioria da população já foi vacinada. Eles prezam pela saúde do povo. O rei é muito idolatrado aqui por causa disso. É um país pequeno, que nem se compara com o Brasil. Mas a gente vê que eles pregam muito isso: cuidar do país.

Dudu é abraçado em comemoração de gol do Al Duhail — Foto: Reprodução / Twitter

Confira abaixo os principais trechos da entrevista com o jogador:

Adaptação ao Catar
– Aqui é um país, cara, para você morar, viver. É um país que está muito à frente de muitos países. É um povo tranquilo, que te recebe muito bem. O pessoal me recebeu muito bem no clube. Você passa despercebido. Você anda na rua, e eles até te reconhecem, mas por educação eles não te param para pedir foto. Por um lado, a gente fica tranquilo, porque eu saio na rua, e você sabe que não vai ter ninguém te filmando, fazendo essas coisas. E por outro, a gente sente falta, né. No Brasil, você sai em São Paulo e recebe o carinho, é reconhecido na rua. Quando a gente começa no futebol, lá na base, a gente sempre quer ter esse carinho do torcedor, das pessoas, e quando você chega no profissional e às vezes não tem nem a privacidade para almoçar porque já tem alguém querendo tirar foto, às vezes isso atrapalha. Eu gostava disso, mas é preciso ter um equilíbrio.

Calendário
– Cara, eu até falo lá no CT: “Ainda tenho que me acostumar, porque são muito poucas partidas”. No Brasil, eu estava acostumado a jogar 60, 64 partidas por ano. Graças a Deus, eu sou um cara que não me machuco muito. A última contusão, se eu não me engano, foi em 2017, então eu costumava jogar muitos jogos no Palmeiras. Aqui, é um jogo a cada 10 dias. Não vou nem lembrar o dia que a gente jogou pela última vez. Os caras deram 14 dias de folga para a gente, uma miniférias. Não sei se vocês acompanharam aí no Instagram, mas fui pra Maldivas, voltei, fiquei de quarentena, saí e ainda não fui treinar. A gente joga 40, 42 jogos no máximo por ano. Então ainda estou me acostumando a essa rotina de poucos jogos.

Desempenho e expectativas do clube
– Estou feliz. Estou vivendo um momento legal aqui. Sou um dos artilheiros, sou um dos principais que dá passe para gol na competição. Nesse campeonato que está acabando, infelizmente já não temos mais chance de título porque o Al-Sadd, time do Xavi, está um pouco à frente da gente, com mais tempo jogando junto, enquanto a nossa equipe teve a chegada de jogadores novos e mudança de treinador. Mas a gente tem um grande objetivo: a Champions League da Ásia. O clube fez as contratações pensando nessa Champions League. Ano passado, eu cheguei, disputei e infelizmente a gente saiu na primeira fase. Esse ano, a gente está mais entrosado, se conhece. Temos um treinador que está aí há uns 4, 5 meses. Já conhecemos o jeito que ele gosta de jogar. Então esse é o nosso objetivo. Temos também a semifinal contra o Al-Rayyan na Copa do Rei, que é um campeonato muito importante para o Catar porque a final é uma festa à parte. O Rei vai ao estádio. É muito bonito, é uma festa diferente. Só quem está aqui mesmo para entender do que a gente está falando.

A pandemia no Catar
– Aqui, a pandemia está bem controlada. Dá uns 80 casos por dia. Para você ver, esses dias deu 200, 300, e o pessoal já ficou muito assustado. Já fecharam as academias, vão já colocar horário para ir no shopping, proibir crianças de ir no shopping. Aqui, eles são muito rigorosos com essa Covid aí, entendeu? A gente veio das Maldivas, fiquei 5 dias lá, e tive que ficar 6 dias no hotel de quarentena. É complicado. Infelizmente, o mundo vive um tempo não legal com essa Covid. Mas graças a Deus, por aqui, está bem.

Olhos no Brasil
– A gente fica triste pelo o que o Brasil está vivendo. Parece que no Brasil essa Covid nunca vai passar, mas a gente torce para que passe o mais rápido possível. Aqui, a maioria da população já foi vacinada. Eu mesmo já tomei as duas doses da vacina. Eles prezam pela saúde do povo. O rei é muito idolatrado aqui por causa disso. Ele cuida muito do país dele. É um país pequeno, que nem se compara com o Brasil. Mas a gente vê que eles pregam muito isso: cuidar do país. A gente fica triste porque acompanha pela televisão e vê que no Brasil isso está um pouco longe de acabar. Não tem vacina para todo mundo. A gente queria que fosse igual aqui, que todo mundo já estivesse vacinado, para as pessoas voltarem à vida normal. Futebol, todo mundo que trabalha. Para o pessoal voltar à vida normal e não haver todo esse número de mortes.

Saudade do Palmeiras
– Muita, muita. Eu estava até hoje mesmo, vendo vídeos dos meus gols e do time de agora. Fico muito feliz do Palmeiras estar vivendo esse momento. Ainda mais com aqueles jogadores. São pessoas que eu convivi, que estão ali, que gostam do clube, que defendem o clube. Quando eu estava ali, a gente passou por alguns momentos difíceis e a gente estava sempre junto. E agora ganhando, eu tenho certeza que eles estão mais juntos ainda. São jogadores de caráter, honestos, que defendem mesmo o clube sem interesse nenhum. Defendem para ver a felicidade do torcedor, ver a felicidade da família deles que está ali. A família mesmo. Pessoas que estão dentro do Palmeiras também, que trabalham no clube, que formam uma família. Então eu fico muito feliz de ver esse sucesso agora.

Dudu comemora gol pelo Palmeiras em 2018 — Foto: Marcos Ribolli

Futuro no Catar
– Tenho contrato ainda com o Palmeiras, né? Mas eu não posso esconder a minha vontade de continuar aqui. Se o clube me comprar, eu vou, automaticamente, ficar mais dois anos e completar três anos. Então, eu quero ficar aqui, ter esse tempo meu aqui no Catar, no clube aqui. Porque se voltar agora, foi porque eu não fiz um bom trabalho aqui. E eu não quero sair daqui desse jeito. Quero sair daqui como foi no Palmeiras, pela porta da frente, com as pessoas querendo que eu não tivesse vindo pra cá. Mas naquele momento, aconteceram algumas coisas que o melhor era ter vindo para cá, e eu vim. Então eu quero continuar esses três anos.

– Todo mundo sabe o respeito, carinho e amor que eu tenho pelo Palmeiras. Não tenho dúvidas de que, se eu ficar os três anos aqui, quando eu voltar para o Brasil, o primeiro clube que eu vou pensar é o Palmeiras. E acho que o Palmeiras, pelo lado da torcida, do presidente, das pessoas que trabalham lá, existe também esse carinho. Espero ficar aqui os três anos, mas o primeiro clube, quando eu voltar, que eu vou pensar, vai ser o Palmeiras.

Melhor temporada do Palmeiras
– Eu fico tranquilo. Fiquei muito feliz, de coração, por tudo que é mais sagrado, eu torço pelos caras, falo com os meninos direto. Eu ia ficar triste se eu tivesse saído para um lugar que eu não estivesse feliz. Mas não. Eu estou aqui e estou feliz. Cara, era um sonho meu ganhar a Libertadores jogando pelo Palmeiras? Sim, era um sonho. E continua esse sonho. Não vai acabar. Não vou acabar minha carreira com 31 anos de idade. Eu penso em jogar até os 37, 38. Claro que eu acho que depois dos 33, 34, eu não vou estar no mesmo nível de quando eu tinha 27, 28. Mas você vê aí jogadores voltando para o Brasil com 35, 36 anos e jogando em alto nível. Então eu posso também jogar em alto nível. Sou um cara que me cuido, que não machuco, então tenho muito tempo para jogar, para jogar no Palmeiras.

– E eu não tenho dúvida que quando eu sair daqui, eu não acabei ainda minha história no Palmeiras. Dei uma pausa nela, como sempre falo. Mas eu vou voltar. Se é agora no meio do ano? Não sei? É daqui a dois anos? Não sei. Mas eu vou voltar para continuar minha história. Eu espero que seja daqui a dois anos. Mas se eu tiver que voltar agora na metade do ano, vou voltar muito feliz, querendo muito, como sempre fiz com a camisa do Palmeiras. Querendo ajudar, respeitando muito os jogadores que estão lá fazendo uma história bonita no Palmeiras. Respeitando o treinador, todo mundo. Mas eu vou querer jogar, e vou demonstrar isso dentro de campo. Não é jogar porque sou o Dudu, ou porque é fulano ou beltrano. Vou jogar porque vou chegar lá e fazer por onde jogar, respeitando todo mundo, como sempre fiz. Mas meu objetivo, desde já, é ficar aqui esses três anos. Se tiver que voltar, volto feliz de estar defendendo o Palmeiras e continuando minha história.

Fonte: G1

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