Grafiteiros caxienses e convidado paulista levam mais cores ao bairro Canyon, em Caxias do Sul

Pixote Mushi, de Diadema, cumpre período de residência artística à convite do Instituto SAMbA

Porthus Junior / Agencia RBS
Muro da G. Paniz, na Rua da Felicidade, recebeu os traços e as tintas de mais de uma dezena de artistas ao longo da última semanaPorthus Junior / Agencia RBS

Ao desembarcar em Caxias do Sul no início da semana passada, o artista plástico paulista Pixote Mushi, nome artístico de Clodoaldo Silva, 37 anos, não imaginou que encontraria tantas semelhanças com a sua cidade natal, Diadema. Se é verdade que o clima gelado do Sul nem se compara, a cultura da metalurgia é o traço que une a maior cidade da Serra à região do ABCD Paulista. Não por acaso, foi um projeto patrocinado pelas duas maiores metalúrgicas de Caxias que viabilizou a vinda do ex-metalúrgico, que virou um dos grandes grafiteiros do Brasil.

Entusiasta de movimentos como o Armorial, de Ariano Suassuna, e o Antropofágico, de Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, Pixote é o convidado da vez do projeto Território Urbano, do Instituto SAMbA. A iniciativa traz a Caxias a nata da arte urbana nacional, para encontros com a cena local marcados pela troca de conhecimentos e a experimentação coletiva, como a que está ocorrendo nesta semana no bairro Canyon. O muro lateral da empresa G. Paniz, na Rua da Felicidade, está recebendo os traços do paulista e de uma dezena de artistas caxienses.

– Na região que concentra as maiores metalúrgicas de São Paulo a arte urbana surgiu muito forte e ligada a questões sociais, tanto que chegou a se cunhar o termo “arte industrial”. É algo que abrange tanto os artistas, galera que passou pelo chão de fábrica, quanto a juventude que é filha desses trabalhadores e, muitas vezes, não tem opção de lazer, encontra no hip hop essa saída – comenta Pixote.

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Chamou a atenção de Pixote Mushi o surgimento de muitas mulheres na cena caxiense de arte urbanaPorthus Junior / Agencia RBS

Outra semelhança que o paulista encontrou foi o surgimento de uma cena impulsionada por um lugar de confluência e de formação de novos talentos. No caso, a Fluência Casa Hip Hop, que o fez lembrar da sua formação na periferia de Diadema.

– Lá em Diadema tem muitos centros culturais, espaço em que a galera de aprende a grafitar, dançar break, fazer rima. Era uma cidade conhecida pelos altos índices de violência, mas que conseguiu mudar um pouco isso através do acesso à cultura. Uma diferença que percebi aqui em Caxias é a quantidade de meninas grafitando. É muito bacana de ver o quanto elas estão se inserindo na cena – ressalta o artista, que participou de uma das aulas da caxiense Fernanda Rieta na Fluência.

A viagem a Caxias do Sul é mais um capítulo de uma trajetória que Pixote constrói Brasil adentro desde que deixou para trás o mercado publicitário, saindo do circuito das maiores metrópoles para descobrir um país que ainda não se conhece tão bem como deveria.

– A grande mudança na minha vida se deu cinco anos atrás, quando fui a Juazeiro do Norte, no Ceará, atrás da família do meu pai, já falecido. Lá pude conhecer e aprender com grandes mestres que influenciaram para sempre meu trabalho, que até então era muito americanizado. Quando passei a desenhar as casas, as personagens do interior nordestino, isso gerou uma identificação incrível com essa grande parcela de trabalhadores do Brasil todo que é imigrante e não se reconhecia nas ruas das cidades onde moram – conta Pixote.

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Os artistas selecionados para participar da maratona de arte urbana ao lado do paulista são  Arthur Saraiva, Augusto Bazzo, Emanoel Gonçalves, Felipe Borges, Guilherme Borges, Guilherme Cavion, Gustavo Gomes, Henrique Moschetta, Mairon Carvalho, Mariele dos Reis, Muriel Jaci da Silva, Rafael Ferreira, Sabrina de Souza, Talisson Dornelles e Vinícius Marcon.

Para saber mais sobre outras atividades previstas para o restante do período de residência artística do artista paulista em Caxias, as informações estão nas redes sociais do Instituto SAMbA (@institutosamba). O projeto é realizado por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, com apoio Cultural da Marcopolo, Fundação Marcopolo, Neobus e Empresas Randon.

Fonte: GauchaZH

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