{"id":13295,"date":"2026-03-11T17:34:10","date_gmt":"2026-03-11T20:34:10","guid":{"rendered":"http:\/\/metropoleemfoco.com.br\/?p=13295"},"modified":"2026-03-11T17:34:10","modified_gmt":"2026-03-11T20:34:10","slug":"13295","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/metropoleemfoco.com.br\/?p=13295","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-634285d elementor-widget elementor-widget-theme-post-title elementor-page-title elementor-widget-heading\" data-id=\"634285d\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-title.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<h1 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Meio ambiente e agricultura sofrem com a a\u00e7\u00e3o dos javalis<\/h1>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-7ee2b33 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"7ee2b33\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Ibama defende abate controlado, Agapan prega o exterm\u00ednio dos animais<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-233b008 elementor-widget elementor-widget-vapfem_audio_player\" data-id=\"233b008\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"vapfem_audio_player.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-ff6d543 elementor-widget elementor-widget-shortcode\" data-id=\"ff6d543\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"shortcode.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div class=\"elementor-shortcode\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail not-transparent wp-post-image\" src=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/dbc3d902-a38c-4b18-8066-ee34ff807ce8.webp\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" srcset=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/dbc3d902-a38c-4b18-8066-ee34ff807ce8.webp 768w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/dbc3d902-a38c-4b18-8066-ee34ff807ce8-300x200.webp 300w\" alt=\"Ibama realiza monitoramento de danos socioambientais promovidos por javali\" width=\"768\" height=\"511\" data-has-transparency=\"false\" data-dominant-color=\"5a574c\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-5703bbf elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"5703bbf\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">Ibama realiza monitoramento de danos socioambientais promovidos por javali\u00a0<span class=\"credit-separator\">|<\/span>\u00a0<span class=\"image-credit\">Cr\u00e9dito: Adobe Stock<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-8136daa elementor-widget elementor-widget-theme-post-content\" data-id=\"8136daa\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-content.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p>A agricultura e as lavouras de milho, soja e outras culturas, e pomares das regi\u00f5es da Fronteira Sul do Estado, Sudoeste, Campanha, Nordeste, Central e Campos de Cima da Serra do Rio Grande do Sul est\u00e3o enfrentando preju\u00edzos e danos provocados pela invas\u00e3o e prolifera\u00e7\u00e3o de javalis. Em alguns casos as perdas chegam a 40% da produ\u00e7\u00e3o. Conforme\u202fos\u202fRelat\u00f3rios de Manejo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/02\/07\/ibama-multa-petrobras-em-25-milhoes-por-vazamento-na-foz-do-amazonas\/\" data-type=\"post\" data-id=\"924298\">Ibama<\/a>), do ano de 2025, \u00e9 poss\u00edvel constatar que os preju\u00edzos para a agricultura e o meio ambiente est\u00e3o distribu\u00eddos em cerca de 200 munic\u00edpios, com o munic\u00edpio de Alegrete figurando no topo. Estas localidades s\u00e3o denominadas de criadouros ou de maior densidade de javalis no Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Esp\u00e9cie ex\u00f3tica invasora no Brasil, introduzida a partir do in\u00edcio do s\u00e9culo 20 na Am\u00e9rica do Sul e com grande expans\u00e3o a partir dos anos 1980, principalmente atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o para abate e da fuga de animais de criadouros, os javalis s\u00e3o procedentes do Uruguai e da Argentina e anteriormente de outros continentes.<\/p>\n<p>Eles se adaptaram ao ambiente brasileiro devido \u00e0 aus\u00eancia de predadores naturais e causam s\u00e9rios danos tamb\u00e9m \u00e0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/marquinho-lemos\/2026\/02\/04\/trabalho-por-uma-agricultura-familiar-mais-forte\/\" data-type=\"column\" data-id=\"922828\">agricultura<\/a>. Como abater animais \u00e9 sempre assunto pol\u00eamico, o Ibama lan\u00e7ou a normativa n\u00ba 12 em 2019,\u00a0n\u00e3o permitindo a ca\u00e7a indiscriminada, mas autorizando o controle do animal sob condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e reguladas.<\/p>\n<p>Conforme a instru\u00e7\u00e3o, considera-se controle do javali a persegui\u00e7\u00e3o, o abate e a captura seguida de elimina\u00e7\u00e3o direta de esp\u00e9cimes, realizado por meios f\u00edsicos, como armas brancas e de fogo, sendo vedada a pr\u00e1tica de quaisquer maus-tratos aos animais, conforme o departamento t\u00e9cnico do instituto.<\/p>\n<p>Fica autorizado tamb\u00e9m o uso de armadilhas do tipo jaula ou curral, que garanta o bem-estar animal, seguran\u00e7a e efici\u00eancia. Tamb\u00e9m \u00e9 admitido o uso de c\u00e3es na atividade de controle, devendo o abate ser de forma r\u00e1pida, sem que provoque o sofrimento desnecess\u00e1rio aos animais, vedada tamb\u00e9m qualquer pr\u00e1tica de maus-tratos.<\/p>\n<p>O javali foi introduzido com a promessa de tornar-se uma iguaria culin\u00e1ria e gastron\u00f4mica, al\u00e9m de uma cria\u00e7\u00e3o e consequentemente uma alimenta\u00e7\u00e3o alternativa mais em conta. Entretanto, conforme ocorreu com outras esp\u00e9cies ex\u00f3ticas introduzidas, os exemplares acabavam escapando, fugindo e muitos foram soltos pelos pr\u00f3prios criadores, al\u00e9m do transporte ilegal de exemplares para pr\u00e1tica de ca\u00e7a em outros locais ainda n\u00e3o povoados.<\/p>\n<p>Assim, os javalis se tornaram amea\u00e7a a toda a sanidade animal do Estado, conforme informa a Secretaria Estadual de Agricultura, em raz\u00e3o das in\u00fameras doen\u00e7as que podem carregar e que acometem tanto a popula\u00e7\u00e3o de animais silvestres quanto a de dom\u00e9sticos, al\u00e9m de rebanhos de gado, transmitindo doen\u00e7as como a peste su\u00edna cl\u00e1ssica e a febre aftosa em porcos e bovinos.<\/p>\n<p>No mesmo contexto, destaca-se que os javalis podem ser portadores de doen\u00e7as que acometem tamb\u00e9m os seres humanos. Dessa maneira, a o \u00f3rg\u00e3o estatal n\u00e3o recomenda o consumo desses exemplares, sob nenhuma de suas formas.<\/p>\n<p>O bi\u00f3logo paulista Richard Rasmussen, 56 anos, formado pela Universidade Ibirapuera, diz que o javali teve forte expans\u00e3o no Brasil a partir da regi\u00e3o Sul. Cita o cruzamento do javali com porcos dom\u00e9sticos, originando o javaporco, esp\u00e9cie h\u00edbrida que se reproduz e se adapta ao ambiente brasileiro.\u00a0 Afirma que os javalis s\u00e3o on\u00edvoros agressivos (comem tudo que aparece pela frente) e destroem a vegeta\u00e7\u00e3o nativa, devoram ninhadas de outros animais e aves e competem com a fauna nativa.<\/p>\n<p>H\u00e1 um consenso entre entidades agropecu\u00e1rias de que, para 2026, o abate de mais de 1,25 milh\u00e3o de javalis ser\u00e1 necess\u00e1rio para tentar conter o avan\u00e7o da esp\u00e9cie.\u00a0Pesquisas sugerem que uma estrat\u00e9gia que inclua o aumento do abate de f\u00eameas em 50% a 70% pode ajudar a reduzir a popula\u00e7\u00e3o e a variabilidade gen\u00e9tica ao longo do tempo.\u00a0Conforme mapeamento oficial, mais de 1,2 milh\u00e3o de javalis foram abatidos nos estados brasileiros nos \u00faltimos cinco anos, segundo o Ibama. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 da coordenadora-geral de Gest\u00e3o, Uso Sustent\u00e1vel e Monitoramento da Biodiversidade de Fauna (CGFau) da institui\u00e7\u00e3o, Gracicleide dos Santos Braga.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Que animal \u00e9 esse?<\/h2>\n<p>O javali ou javali-euroasi\u00e1tico, tamb\u00e9m conhecido como javardo, porco-bravo, porco-monteiro, porco-selvagem-euroasi\u00e1tico e porco-mont\u00eas, \u00e9 um animal artiod\u00e1ctilo*. Tem ampla distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, sendo nativo da Europa, \u00c1sia, Ilhas Sonda e Norte da \u00c1frica e foi introduzido na Am\u00e9rica do Sul no in\u00edcio do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>Uma f\u00eamea pode gerar de duas a tr\u00eas gesta\u00e7\u00f5es por ano, com ninhadas de 10 filhotes em m\u00e9dia, podendo chegar a at\u00e9 25 filhotes, favorecendo uma r\u00e1pida expans\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Estudos indicam que o javali se adaptou a diferentes biomas ao redor do mundo, desde desertos at\u00e9 regi\u00f5es de frio extremo, dificultando qualquer estrat\u00e9gia de erradica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a baix\u00edssima presen\u00e7a de predadores naturais proporciona o crescimento exponencial da esp\u00e9cie. O peso desses animais poder\u00e1 variar bastante, dependendo do grau de cruzamento com su\u00ednos dom\u00e9sticos.<\/p>\n<p>Um javali adulto, sem cruzas, pesa geralmente entre 90 kg e 150 kg, alguns machos podem chegar at\u00e9 180 kg e as f\u00eameas normalmente s\u00e3o menores, variando entre 60 e 120 kg. J\u00e1 animais com algum grau de cruzamento, os chamados su\u00ednos asselvajados ou javaporcos, estima-se que podem pesar at\u00e9 mais 200 kg. As dimens\u00f5es variam entre 90 e 200\u00a0cm (adulto, sem cauda). O comprimento da cauda fica entre15 e 40\u00a0cm (adulto).<\/p>\n<p>As javalis f\u00eameas atingem a maturidade sexual por volta dos oito a 10 meses de idade e podem reproduzir-se facilmente a partir da\u00ed. Os filhotes nascem com listras claras no pelo, um padr\u00e3o de camuflagem que desaparece gradualmente at\u00e9 cerca dos tr\u00eas meses de idade.<\/p>\n<p>O javali, conforme o Ibama, \u00e9 classificado como uma das cem piores esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras do mundo pela Uni\u00e3o Internacional de Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza. Sua agressividade e facilidade de adapta\u00e7\u00e3o s\u00e3o caracter\u00edsticas que associadas \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o descontrolada e \u00e0 aus\u00eancia de predadores naturais, provocam em uma s\u00e9rie de impactos ambientais e socioecon\u00f4micos, principalmente para pequenos agricultores.<\/p>\n<p>*\u00a0Artiod\u00e1ctilos s\u00e3o uma\u00a0ordem de mam\u00edferos ungulados (com cascos) que se caracterizam por terem um\u00a0n\u00famero par de dedos(dois ou quatro) nas patas, como bois, porcos, veados, camelos, girafas e hipop\u00f3tamos, sendo um grupo diverso e com maioria herb\u00edvora, al\u00e9m de um sistema digestivo especializado para processar vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ibama \/Agapan<\/h2>\n<p>O Ibama esclarece que a r\u00e1pida difus\u00e3o territorial do animal, a sua nocividade e alta capacidade reprodutiva exige\u202fo seu controle populacional. O\u00a0controle\u202fda esp\u00e9cie foi autorizado pelo Ibama em 2013, de acordo com regras estabelecidas pela\u202fInstru\u00e7\u00e3o Normativa 03\/2013,\u202fque decretou a nocividade e autorizou o controle populacional da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Prote\u00e7\u00e3o ao Ambiente Natural (Agapan) avan\u00e7a na quest\u00e3o. O bi\u00f3logo e diretor cient\u00edfico da entidade, Francisco Milanez, diz que n\u00e3o basta apenas controle, \u201ctem que exterminar. Isso mesmo, exterminar, n\u00e3o confundir com controle.\u201d Para ele, est\u00e1 \u00e9 uma prioridade m\u00e1xima e exige rapidez. \u201cOs javalis lavram tudo. N\u00e3o poupam nada. \u00c9 um risco at\u00e9 para as pessoas pela sua ferocidade e pela selvageria completa. Infelizmente tem que exterminar. O meio ambiente sofre demais com a a\u00e7\u00e3o deles\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>O Ibama, por\u00e9m, pensa nas leis e nas suas aplica\u00e7\u00f5es. Por exemplo, em 04 de abril de 2019 publicou no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o a\u202fInstru\u00e7\u00e3o Normativa n\u00b0 12\/2019, que instituiu o Sistema de Informa\u00e7\u00f5es de Manejo de Fauna (Simaf) para monitoramento das atividades de manejo do javali, aprimorando a IN n\u00b0 03\/2013.\u202fE, junto com a\u202fPortaria Interministerial n\u00ba 232\/17, que instituiu o Plano Nacional de Preven\u00e7\u00e3o, Controle e Monitoramento do Javali (<em>Sus\u202fscrofa<\/em>) no Brasil,\u202fs\u00e3o as normativas espec\u00edficas\u202fque regulamentam\u202fa gest\u00e3o e o controle desta esp\u00e9cie ex\u00f3tica invasora.<\/p>\n<p>H\u00e1 regramentos que regulam o controle do javali, onde emprego de produtos e de atividades n\u00e3o permitidas podem resultar em infra\u00e7\u00f5es ambientais, pass\u00edveis de autua\u00e7\u00e3o e cobran\u00e7a de multa. Assim \u00e9 proibido:<\/p>\n<p>\u2022 Uso de armadilhas letais ou capazes de ferir o animal, pois al\u00e9m de causar maus tratos aos javalis, o que \u00e9 expressamente proibido, pode atingir e ferir outras pessoas ou outros animais.<\/p>\n<p>\u2022 Emprego de veneno, uma vez que pode intoxicar e at\u00e9 mesmo matar pessoas, animais silvestres e dom\u00e9sticos, al\u00e9m de contaminar o meio ambiente.<\/p>\n<p>\u2022 Uso de \u00f3leo queimado para atrair javalis, porque pode ocorrer contamina\u00e7\u00e3o ambiental, do solo, da \u00e1gua, afetando as pessoas, os animais e plantas do local.<\/p>\n<p>\u2022 Realiza\u00e7\u00e3o do controle de javalis pr\u00f3ximo de rodovias. S\u00e3o proibidas a persegui\u00e7\u00e3o, a apanha ou a captura de javalis a menos 500 metros de cada lado do eixo de qualquer via t\u00e9rrea ou rodovia p\u00fablica, pois pode colocar em risco a sua vida e a de outras pessoas.<\/p>\n<p>\u2022 Controle de javalis com armas de fogo pr\u00f3ximo de rodovias. Tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o permitidas a persegui\u00e7\u00e3o, a apanha ou a captura de javalis com armas de fogo a menos tr\u00eas quil\u00f4metros de cada lado do eixo de qualquer via t\u00e9rrea ou rodovia p\u00fablica. Isso pode colocar em risco a sua vida e de outras pessoas.<\/p>\n<p>\u2022 Transporte de indiv\u00edduos vivos, pois pode-se espalhar problemas e doen\u00e7as dos javalis para outros locais (tal proibi\u00e7\u00e3o consta das normas vigentes).<\/p>\n<p>\u2022 Distribui\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o dos produtos e subprodutos de javalis<em>.<\/em><\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Gastronomia<\/h2>\n<p>N\u00e3o se iluda. Carne de javali \u00e9 um perigo, causa doen\u00e7as, mas pode, sim, servir de alimenta\u00e7\u00e3o, apesar de todas as recomenda\u00e7\u00f5es em contr\u00e1rio, desde que seja preparada com todo o rigor e por muitas horas para eliminar qualquer problema. \u00c9 preciso passar por normas sanit\u00e1rias minuciosas. A carne de javali selvagem, segundo orientam bi\u00f3logos, sanitaristas e at\u00e9 nutricionistas, quando n\u00e3o seguidas as devidas regras, pode transmitir doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 uma decis\u00e3o oficial sobre isso. Conforme informa a Divis\u00e3o T\u00e9cnico-Ambiental do Ibama\/RS, o\u00a0Manual de Boas Pr\u00e1ticas para o Controle de Javali, n\u00e3o \u00e9 recomendado o consumo da carne do javali nem por pessoas e nem pelos cachorros. Isso pode contribuir para espalhar doen\u00e7as para pessoas, animais silvestres e dom\u00e9sticos, incluindo os animais de produ\u00e7\u00e3o.\u00a0\u201cNesse ponto, sugerimos o contato com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria) Su\u00ednos e Aves, que disp\u00f5em de estudos e dados concretos sobre o consumo de carne de javalis\u201d, informou o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>O animal foi introduzido no Brasil com a promessa de tornar-se uma iguaria culin\u00e1ria e gastron\u00f4mica, al\u00e9m de uma cria\u00e7\u00e3o e consequentemente uma alimenta\u00e7\u00e3o alternativa mais em conta. Entretanto, conforme ocorreu com outras esp\u00e9cies ex\u00f3ticas introduzidas, os exemplares acabavam escapando, fugindo e muitos foram soltos pelos pr\u00f3prios criadores, como ocorreu em Vacaria, onde uma grande empresa soltou no campo os animais, como relatou um produtor rural. O transporte ilegal de javalis para pr\u00e1tica de ca\u00e7a em outros locais ainda n\u00e3o povoados tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 permitido.<\/p>\n<p>Assim, os javalis se tornaram amea\u00e7a a toda a sanidade animal do Estado, visto que podem carregar muitas doen\u00e7as que acometem tanto a popula\u00e7\u00e3o de animais silvestres quanto a de dom\u00e9sticos. No mesmo contexto, destaca-se que os javalis podem ser portadores de doen\u00e7as que acometem tamb\u00e9m os seres humanos. Dessa maneira, o Departamento de Vigil\u00e2ncia e Defesa Sanit\u00e1ria Animal da Secretaria da Agricultura, Pecu\u00e1ria, Produ\u00e7\u00e3o Sustent\u00e1vel e Irriga\u00e7\u00e3o (Seapi) n\u00e3o recomenda o consumo desses exemplares, sob nenhuma de suas formas.<\/p>\n<p>Entre as doen\u00e7as transmitidas pelos javalis est\u00e3o a toxoplasmose (infec\u00e7\u00e3o, febres, dores generalizadas), zoon\u00f3ticas (passadas por animais e causam v\u00edrus, bact\u00e9rias e fungos), salmonelose (diarr\u00e9ia, dores abdominais, calafrios, cansa\u00e7o, v\u00f4mitos) e leptospirose (dores musculares intensas, febres altas, v\u00f4mitos, insufici\u00eancia renal e icter\u00edcia).<\/p>\n<p>Mesmo seguindo todas as normas exigidas pelos \u00f3rg\u00e3os sanit\u00e1rios \u00e9 arriscado comer carne do animal, mas ainda h\u00e1 quem insista. O principal \u00e9 garantir a proced\u00eancia e o cozimento completo, atingindo uma temperatura interna segura para matar quaisquer parasitas.<\/p>\n<p><strong>Cozimento:<\/strong>\u00a0\u00a0\u00c9 fundamental que a carne seja cozida a uma temperatura interna alta e segura. Para cortes inteiros, o ideal \u00e9 atingir mais de cinco horas de cozimento.\u00a0\u00c9 crucial que o animal seja eviscerado e limpo imediatamente ap\u00f3s o abate para evitar contamina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Proced\u00eancia:<\/strong>\u00a0Consuma apenas carne de origem controlada. A cria\u00e7\u00e3o de javalis para consumo \u00e9 permitida, mas a ca\u00e7a de javalis selvagens requer licen\u00e7a e acompanhamento profissional.<\/p>\n<p><strong>Dicas de preparo:\u00a0<\/strong>Devido \u00e0 sua textura e sabor, a carne de javali pode se beneficiar de preparos mais longos e lentos, como o cozimento em panela el\u00e9trica, ensopados ou churrascos de paleta.<\/p>\n<p><strong>Sabor:\u00a0<\/strong>A carne de javali tem um sabor suave e \u00e9 considerada magra, com menos calorias, gordura e colesterol que a carne de porco comum.<\/p>\n<p><strong>Receitas:<\/strong>\u00a0A carne de javali \u00e9 vers\u00e1til e pode ser usada em diversas receitas, como massas, escondidinhos e assados.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o:\u00a0<\/strong>\u00c9 seguro comer carne de javali, mas apenas se for manuseada, preparada e cozida corretamente para garantir que todos os riscos \u00e0 sa\u00fade sejam eliminados. A ca\u00e7a legalizada e a proced\u00eancia de fazendas registradas s\u00e3o a melhor garantia de seguran\u00e7a.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Porto Alegre<\/h2>\n<p>Porto Alegre j\u00e1 teve restaurantes especializados em carnes ex\u00f3ticas (como r\u00e3s, javalis, tubar\u00e3o e outras) no Mercado P\u00fablico. Mas desapareceram pela pouca procura. Hoje, pode-se encontrar carne de javali em lugares especializados como:\u00a0Restaurantes de culin\u00e1ria especializada\/carnes Ex\u00f3ticas:\u00a0Estabelecimentos com foco em carnes de ca\u00e7a ou pratos diferenciados t\u00eam maior probabilidade de incluir javali em seu card\u00e1pio, seja de forma regular ou sazonal.<\/p>\n<p><strong>Emp\u00f3rios e Distribuidores de Carnes:<\/strong>\u00a0Algumas empresas em Porto Alegre, como a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/kozinha.carnesexoticas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Kozinha Carnes Ex\u00f3ticas no Instagram<\/a>\u00a0ou o\u00a0Quintal de Casa \u2013 Amazem de Carnes\u00a0(uma butique de carnes), podem n\u00e3o ser restaurantes no sentido tradicional, mas podem fornecer a carne para preparo pr\u00f3prio ou ter parcerias com restaurantes que a preparam. Nesses locais, voc\u00ea pode obter informa\u00e7\u00f5es sobre a disponibilidade da carne.<\/p>\n<p><strong>Restaurantes de Alta Gastronomia:<\/strong>\u00a0Chefs de restaurantes sofisticados, que se especializam em carnes e pratos uruguaios, \u00e0s vezes oferecem pratos especiais com carnes menos comuns.<\/p>\n<p><strong>Recomenda\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Devido \u00e0 natureza da carne de javali, \u00e9 altamente recomend\u00e1vel\u00a0ligar para o restaurante com anteced\u00eancia\u00a0para confirmar se o prato est\u00e1 dispon\u00edvel no dia da sua visita, pois o card\u00e1pio pode variar.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ca\u00e7adores de Javalis<\/h2>\n<p>Sim,\u00a0javalis s\u00e3o encontrados em Vacaria (RS), e a presen\u00e7a da esp\u00e9cie tem sido alvo de discuss\u00f5es e controle devido aos impactos na agricultura.\u00a0H\u00e1 registros de ca\u00e7adas na regi\u00e3o, principalmente em \u00e1reas de lavoura, como de soja e milho, e tamb\u00e9m em pomares, onde os animais se concentram.\u00a0Relatos e v\u00eddeos mostram a ocorr\u00eancia de javalis e javaporcos em propriedades rurais da regi\u00e3o. A quest\u00e3o da presen\u00e7a dos javalis tem sido debatida em audi\u00eancias p\u00fablicas para buscar solu\u00e7\u00f5es para seu controle e manejo.<\/p>\n<p>O comerciante Celso Benedetti, 73 anos, \u00e9 um especialista em vender armas especiais para a ca\u00e7a de javalis, em Vacaria (RS). A regi\u00e3o, forte em pecu\u00e1ria e agricultura, \u00e9 infestada destes animais selvagens. Ele diz que as armas adequadas para o abate de javalis s\u00e3o as de calibre 12 ou 20. Afirma que as armas 357 tem alto poder letal em pequenas dist\u00e2ncias. Recomenda tamb\u00e9m o fuzil 308 e Magnum 300, mas diz que as de calibre 12 s\u00e3o as mais negociadas.<\/p>\n<p>Celso salienta que a sua loja segue as regras oficiais para vender armas e exige dos compradores todos os registros necess\u00e1rios. O comprador precisa comprovar idoneidade moral, apresentar CNPJ de propriedade rural eventualmente atacada por este animal, registrar pap\u00e9is na Pol\u00edcia Federal, enfim cumprir toda a burocracia para o porte de armas. A sua empresa, Maced\u00f4nia Ca\u00e7a e Pesca, \u00e9 uma das raras especializadas em Vacaria.<\/p>\n<p>\u2013 Tenho pomares de frutas e seguidamente as macieiras, pessegueiras e ameixeiras s\u00e3o atacadas, praticamente arrasadas. Tenho que me prevenir contra a destrui\u00e7\u00e3o. Os javalis arrancam tudo: ra\u00edzes, caules, frutas. Destroem a tua planta\u00e7\u00e3o. E atacam em manada. Os ataques s\u00e3o feitos sempre ao anoitecer e durante as madrugadas. Estes bichos atacam tamb\u00e9m animais (ovelhas, cachorros, bois). N\u00e3o t\u00eam perd\u00e3o. \u00c9 preciso estar sempre vigilante para n\u00e3o perder toda a planta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Benedetti diz que os javalis tamb\u00e9m causam danos ambientais, como eros\u00e3o do solo. A pr\u00e1tica da ca\u00e7a est\u00e1 legalizada desde 2013.\u00a0Ele diz tamb\u00e9m que a ca\u00e7a \u00e9 permitida apenas em propriedades privadas, com autoriza\u00e7\u00e3o do propriet\u00e1rio e dentro das normas legais vigentes.<\/p>\n<p>Jocelito Girardi, 50 anos, trabalha em Muitos Cap\u00f5es, munic\u00edpio vizinho de Vacaria, ca\u00e7a javalis h\u00e1 25 anos, como um hobby. Tamb\u00e9m ca\u00e7a outros animais e pesca com frequ\u00eancia. \u201c\u00c9 um esporte para mim\u201d. Garante que ele e seus companheiros cumprem todas as leis a respeito de armas e s\u00f3 usam em propriedades que permitem o abate dos javalis.<\/p>\n<p>\u2013 O problema aqui na regi\u00e3o dos Campos de Cima da Serra \u00e9 que uma empresa rural de grande porte trouxe estes animais h\u00e1 quase 40 anos, formou um criadouro e, depois, diante da alta reprodu\u00e7\u00e3o, decidiu soltar os bichos. Foi e est\u00e1 sendo uma destrui\u00e7\u00e3o sem limites. Ca\u00e7o com frequ\u00eancia. E consumimos com muito cuidado. Em panela, em espetos, deixamos cozinhar at\u00e9 ter certeza de o animal est\u00e1 pronto para ser comido sem medo de futuras doen\u00e7as. V\u00e1rias equipes aqui de Vacaria ca\u00e7am at\u00e9 300 javalis por semana \u2013 afirma Jocelito.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Secretaria da Agricultura<\/h2>\n<p>O Departamento de Vigil\u00e2ncia e Defesa Sanit\u00e1ria Animal da Secretaria da Agricultura, Pecu\u00e1ria, Produ\u00e7\u00e3o Sustent\u00e1vel e Irriga\u00e7\u00e3o (Seapi) informa que n\u00e3o\u00a0disp\u00f5e de dados estat\u00edsticos oficiais relacionados aos danos causados por javalis e as principais regi\u00f5es afetadas. No entanto, informa, que dados de \u00f3rg\u00e3os ambientais como o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade), reportam que as regi\u00f5es mais impactadas pelos preju\u00edzos causados nas lavouras e nos rebanhos s\u00e3o aquelas relacionadas com lavouras de gr\u00e3os e cria\u00e7\u00e3o de animais.<\/p>\n<p>Em Santana do Livramento, na Fronteira Oeste, por exemplo, os preju\u00edzos incluem a destrui\u00e7\u00e3o de pastagens e comprometimento da produ\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria. Culturas de arroz, milho e soja na regi\u00e3o de Alegrete tamb\u00e9m s\u00e3o comumente afetadas pelos javalis, que podem destruir planta\u00e7\u00f5es inteiras, revirando solo, arrancando forragens e danificando lavouras.<\/p>\n<p>O crescimento da popula\u00e7\u00e3o de javalis representa uma s\u00e9ria amea\u00e7a do ponto de vista sanit\u00e1rio, pois al\u00e9m de competirem por alimento e territ\u00f3rio com esp\u00e9cies nativas, esses animais s\u00e3o vetores de doen\u00e7as que podem comprometer a pecu\u00e1ria nacional e a seguran\u00e7a alimentar do Brasil, relata a Seapi.<\/p>\n<p>Existem tamb\u00e9m informa\u00e7\u00f5es, conforme relatos e comunica\u00e7\u00f5es nas Inspetorias de Defesa Agropecu\u00e1rias do Estado por parte dos produtores rurais, sobre a grande popula\u00e7\u00e3o de javalis na regi\u00e3o de Vacaria e da regi\u00e3o de Campos de Cima da Serra. \u201cAt\u00e9 o momento, a Seapi n\u00e3o disp\u00f5e de uma metodologia de coleta de dados oficiais para registro de danos causados por javalis. Est\u00e1 sendo elaborado um m\u00e9todo que em breve poder\u00e1 estimar mais precisamente estes preju\u00edzos\u201d, garantiu a Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o da Secretaria.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Veado Uruguaio<\/h2>\n<p>Eles est\u00e3o chegando em bandos ou manadas, assim como aconteceu no s\u00e9culo passado com os javalis. \u00c9 o veado ou cervo uruguaio, como \u00e9 chamado na regi\u00e3o dos Campos de Cima da Serra. J\u00e1 s\u00e3o vistos com frequ\u00eancia pelos campos e matos de Vacaria, como constatou o administrador rural Jo\u00e3o Batista Moraes da Silva, 62 anos. Assim como os javalis, eles tamb\u00e9m s\u00e3o um perigo para a agricultura e o meio ambiente.<\/p>\n<p>O nome oficial do animal \u00e9 \u2018Chital\u2019, esp\u00e9cie origin\u00e1ria da \u00c1sia e que foi introduzida no Uruguai e na Argentina para ca\u00e7a. O Rio Grande do Sul emitiu portaria para regulamentar controle da popula\u00e7\u00e3o em Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, mas os veados\/cervos est\u00e3o se espalhando rapidamente e tamb\u00e9m causam danos \u00e0s lavouras, comendo gr\u00e3os e destruindo tudo que encontram pela frente, mas sem a ferocidade dos javalis.<\/p>\n<p>Nativo das florestas da \u00cdndia, Sri Lanka, Nepal, Bangladesh, But\u00e3o e Paquist\u00e3o, chegou um bicho ex\u00f3tico no Sul do Brasil. \u201cEm 1930 esse cervo foi introduzido na Argentina e no Uruguai, porque \u00e9 um animal muito atrativo para a ca\u00e7a, j\u00e1 que \u00e9 grande e possui uma galhada bem expressiva. Com o passar dos anos passaram a migrar para o Brasil e chegaram, em 2009, no Parque Estadual do Espinilho, na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/02\/24\/incendio-atinge-reserva-estadual-em-barra-do-quarai-rs-na-fronteira-com-argentina-e-uruguai\/\" data-type=\"post\" data-id=\"566887\">Barra do Quara\u00ed<\/a>, no Rio Grande do Sul\u201d, conta o pesquisador M\u00e1rcio Leite de Oliveira, da Universidade Estadual de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Esses grandes mam\u00edferos, com pintas brancas, cujo macho chega a pesar 110 quilos e medir um metro e dez cent\u00edmetros na altura da cernelha podem ter ultrapassado a fronteira por terra, como tamb\u00e9m por \u00e1gua, j\u00e1 que s\u00e3o ex\u00edmios nadadores. S\u00e3o herb\u00edvoros e n\u00e3o t\u00eam predadores por aqui, embora na regi\u00e3o de Vacaria, segundo o administrador Jo\u00e3o Batista Moraes da Silva, eles tenham sido atacados por on\u00e7as pintadas e baias.<\/p>\n<p>\u201cQuando uma esp\u00e9cie ex\u00f3tica invade um territ\u00f3rio novo e consegue sobreviver ela passa por uma fase de adapta\u00e7\u00e3o. Aos poucos as popula\u00e7\u00f5es v\u00e3o se formando e os bichos se estabelecendo, o que demora certo per\u00edodo de tempo. Depois, gradativamente, os grupos aumentam e os animais come\u00e7am a se espalhar\u201d, comenta Oliveira.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma esp\u00e9cie ex\u00f3tica que n\u00e3o pertence ao Brasil e que n\u00e3o deveria estar aqui. N\u00e3o queremos que esse cervo seja visto com um bicho de estima\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo que tamb\u00e9m n\u00e3o queremos que todo mundo pegue armas para ca\u00e7ar\u201d, alerta Oliveira.<\/p>\n<p>Erradicar uma esp\u00e9cie invasora j\u00e1 estabelecida em um territ\u00f3rio \u00e9 muito dif\u00edcil, mas o ideal \u00e9 trabalhar no controle dos animais, diz o bi\u00f3logo Lu\u00eds Fernando Perell\u00f3, Analista Ambiental da Fepam (Funda\u00e7\u00e3o Estadual da Prote\u00e7\u00e3o Ambiental do RS), integrante do Grupo de Assessoramento T\u00e9cnico do Programa Estadual de Controle de Esp\u00e9cies Ex\u00f3ticas Invasoras e um dos especialistas dedicados aos estudos com a esp\u00e9cie no Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Perell\u00f3, que tamb\u00e9m foi jornalista e editor da \u00e1rea Rural, diz que a primeira iniciativa foi reconhecer, formalmente, a esp\u00e9cie como ex\u00f3tica e invasora em 2013. \u201cEsse passo foi importante para podermos promover e idealizar iniciativas legais para lidar com o problema. A partir da\u00ed, o animal come\u00e7ou a ser estudado e desenvolvemos um projeto para investigar a quest\u00e3o sanit\u00e1ria desse cervo. A inten\u00e7\u00e3o foi a de averiguar se havia riscos para a sa\u00fade dos rebanhos do Estado\u201d, explica Perell\u00f3.<\/p>\n<p>Uma portaria estadual j\u00e1 controla parcialmente a esp\u00e9cie nas unidades de conserva\u00e7\u00e3o. O foco \u00e9 principalmente os cervos que est\u00e3o no Parque Estadual do Espinilho. Agora a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMA) do RS trabalha na implementa\u00e7\u00e3o do controle.<\/p>\n<p>Perell\u00f3 afirma que n\u00e3o quer que aconte\u00e7a o mesmo que ocorre com o que ele chama de \u201cpretenso controle\u201d do javali, onde os abates acontecem sem que haja um controle efetivo e confi\u00e1vel dos resultados, o que abre brecha para outros problemas.<\/p>\n<p>\u201cNossa ideia \u00e9 oferecer treinamento espec\u00edfico para os controladores (pessoas que v\u00e3o abater os cervos) visando a segura identifica\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de instru\u00e7\u00f5es sobre como se portar no interior de uma Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o\u201d, diz o bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>Os ca\u00e7adores precisar\u00e3o usar equipamentos pr\u00f3prios e legalizados e integrarem um cadastro espec\u00edfico. Al\u00e9m disso, durante a ca\u00e7a sempre ser\u00e3o acompanhados de um funcion\u00e1rio da pr\u00f3pria unidade de conserva\u00e7\u00e3o, essa a respons\u00e1vel por todo o processo. Dessa forma, a ca\u00e7a acontecer\u00e1 de acordo com a demanda da pr\u00f3pria unidade que decidir\u00e1 quando e como dever\u00e1 ocorrer o controle.<\/p>\n<p>Ao final das opera\u00e7\u00f5es, relat\u00f3rios ser\u00e3o emitidos com informa\u00e7\u00f5es sobre o n\u00famero de abates, sexo dos animais e at\u00e9 destina\u00e7\u00e3o da carca\u00e7a. O consumo da carne n\u00e3o \u00e9 recomendado, eis que se trata de um animal que n\u00e3o passou por qualquer avalia\u00e7\u00e3o de sa\u00fade. Perell\u00f3 refor\u00e7a que ainda n\u00e3o h\u00e1 nenhum tipo de legisla\u00e7\u00e3o para o controle do animal fora das \u00e1reas de Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o. \u201cEles andam soltos e j\u00e1 foram vistos at\u00e9 em rodovias do RS e de outros estados, em cidades e no litoral. Est\u00e3o se espalhando\u201d, conclui.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"a2a_kit a2a_kit_size_28 a2a_floating_style a2a_vertical_style\"><a class=\"a2a_button_facebook\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/#facebook\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><span class=\"a2a_label\">Facebook<\/span><\/a><a class=\"a2a_button_whatsapp\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/#whatsapp\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><span class=\"a2a_label\">WhatsApp<\/span><\/a><a class=\"a2a_button_email\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/#email\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><span class=\"a2a_label\">Email<\/span><\/a><a class=\"a2a_button_x\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/#x\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><span class=\"a2a_label\">X<\/span><\/a><a class=\"a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share\" href=\"https:\/\/www.addtoany.com\/share#url=https%3A%2F%2Fwww.brasildefato.com.br%2F2026%2F03%2F11%2Fmeio-ambiente-e-agricultura-sofrem-com-a-acao-dos-javalis%2F&amp;title=Meio%20ambiente%20e%20agricultura%20sofrem%20com%20a%20a%C3%A7%C3%A3o%20dos%20javalis%20%7C%20Brasil%20de%20Fato\"><span class=\"a2a_label a2a_localize\" data-a2a-localize=\"inner,Share\">Partilhar<\/span><\/a><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-6950de8 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"6950de8\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">Editado por:\u00a0Vivian Virissimo<\/p>\n<p>Fonte: Brasil de Fato<\/p><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meio ambiente e agricultura sofrem com a a\u00e7\u00e3o dos javalis Ibama defende abate controlado, Agapan prega o exterm\u00ednio dos animais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13297,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[98],"tags":[],"class_list":["post-13295","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meio-ambiente"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/metropoleemfoco.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13295","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/metropoleemfoco.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/metropoleemfoco.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/metropoleemfoco.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/metropoleemfoco.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=13295"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/metropoleemfoco.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13295\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13298,"href":"http:\/\/metropoleemfoco.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13295\/revisions\/13298"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/metropoleemfoco.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/13297"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/metropoleemfoco.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=13295"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/metropoleemfoco.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=13295"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/metropoleemfoco.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=13295"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}